Eles ameaçam a fechar fronteira
Além da onda de roubos a veículos, motos e caminhonetes, que aflige o Acre, agora os caminhoneiros temem que esteja iniciando uma sequência de roubos a caminhões. O sindicato da categoria está ameaçando fechar as fronteiras com a Bolívia no Estado e em Rondônia, para cobrar medidas enérgicas de segurança.
Há 15 anos no ofício, o caminhoneiro Abdias Mourão, afirma que nunca se sentiu tão inseguro. Ele é proprietário de um caminhão baú, onde tira o sustento da família com fretes, e até mudou a rotina de trabalho por conta do medo. “Às seis da tarde eu já vou pra casa, por que é melhor ficar em segurança”, afirma.
O medo do trabalhador não é a toa. Nos últimos dias, tem ouvido entre os colegas, que a onda de roubos e assaltos chegou à categoria.
A última vítima foi atraída para a rotatória da corrente, na última sexta-feira (12). Era uma chamada para um frete. “Fui acionado por telefone por uma mulher e cheguei lá eram três elementos. Fui fazer um frete e fui assaltado”, disse o homem que pediu para não ser identificado.
O caminhoneiro foi levada até um ramal e lá ficou amarrado com as próprias roupas. “Me desamarrei rápido, cerca de cinco minutos depois que eles saíram. Consegui pedir socorro em uma chácara e avisaram a polícia”, relatou na delegacia.
O filho de seu José Pereira não teve a mesma sorte. Em junho do ano passado, atraído para um frete, Emerson Mauro de Souza (34) foi atingido por um tiro, logo que ouviu a voz de assalto.
Os relatos do que verdadeiramente aconteceu foram do próprio filho, um adolescente de 13 anos de idade, que estava acompanhando o pai no frete. O menino também foi atingido por um tiro e sobreviveu. O pai, não resistiu ao ferimento.
“O interesse deles era pelo caminhão. Chegaram a comentar que fazia mais de mês que andavam atrás. Eu queria que tivessem levado o caminhão e deixado meu filho. O caminhão não me importava, mas a vida dele sim”, explica.
Seu José também trabalha no mesmo ofício do fílho. A experiência fez ele selecionar o tipo de frete. “Só faço frete se conhecer a pessoa pessoalmente. Por telefone não vou. A situação ta difícil, mas é melhor preservar a vida”, argumenta.
O sindicato da categoria está mobilizando um manifesto pedindo segurança, que deve acontecer nos próximos dias nas fronteiras do Acre com a Bolívia. O movimento se estende ainda à fronteira de Guajará Mirim em Rondônia.
As sugestões às autoridades, os trabalhadores já tem na ponta da língua. “Chega lá pára, de lá pra cá para. Se identifica com documento, então acho que seria melhor assim pra nós”, sugere Abdias Mourão.


