Viabilidade econômica, mesmo em baixa escala
A Ong SOS Amazônia promoveu exposição de produtos da sociobiodiversidade do Acre e do Amazonas. Durante a feira, os produtores reforçaram a mensagem de que o associativismo tem ajudado às famílias de extrativistas a viver melhor, apoiadas na ideia da sustentabilidade.
A feira de produtos da sociobiodiversidade aconteceu em um hotel de Rio Branco e contou com a participação de 20 organizações de produtores. Lá estava, por exemplo, a Cooperativa agroextrativista do Mapiá e médio Purus (Cooperar), que trabalha com processamento do cacau.
José Antônio da Conceição Camilo, um dos diretores da organização localizada em Boca do Acre, explica que o trabalho envolve mais de 200 famílias, desde os ribeirinhos que fornecem o produto, até os trabalhadores que processam o cacau.
“Entre Boca do Acre e Lábrea temos dois setores onde fazemos o beneficiamento, com coleta, quebra, faz a secagem, traz para o armazém em Boca do Acre e de lá importa e exporta”, explica.
8% dos chocolates amargos da indústria de Luísa Abram, são produzidos com cacau da Cooperar. O produto industrializado em São Paulo ganhou o mercado local e internacional.
“O cacau nativo atrai muito. O público alvo gosta de saber a rastreabilidade do produto que está consumindo. Aqui no caso eu só ponho dois ingredientes então fica ainda mais saudável. Vir aqui e olhar no olho do ribeirinho e ajudar eles e falar isso tá dando certo, continue fazendo desse jeito, enfim, pagar por um preço justo, acho que isso tudo, no final, o cliente está começando a valorizar mais”, afirma Luisa Abram.
Para quem trabalha com produtos da floresta, estar organizado também garante mais valorização aos produtos extraídos com tanta dificuldade. “O produtor tem valor agregado do produto dele, e mercado garantido para produção”, disse Adison Benigno, presidente da cooperativa agro extrativista de Tarauacá (Caet).
Na Cooperativa de Tarauacá, são comercializados farinha de mandioca e frutos, mas o carro chefe e a compra e venda de borracha. “Nossa borracha vai para indústrias de calçados e para indústria de material escolar”, explica Benigno.
A feira de produtos da sociobiodiversidade organizada pela SOS Amazônia, faz parte do projeto Valores da Amazônia, que tem objetivo de fortalecer as cooperativas e associações que trabalham com produtos da floresta.


