Empresário anuncia novidades para o centro de compras
Paulo Stewart é o rosto mais novo da administração do Via Verde Shopping. Para o leitor, ele substitui Dorival Regini que esteve à frente do empreendimento por três natais.
Regini ainda faz parte do grupo de colaboradores, mas é Stewart quem dá o tom a partir de agora. Ele é presidente da Saphyr, a empresa que, junto com a Hemisfério Sul Investimento (HSI), administra um portfólio que transita entre Rio de Janeiro, Maceió, Campinas e São Paulo, além de Rio Branco.
A Saphyr já fazia parte do grupo empresarial que administrava o empreendimento. A Landis, de Regini, pavimentou o cenário e agora Stewart tem a missão de consolidar o empreendimento. Mesmo em um ambiente de crise.
A palavra “crise” é perceptível que Stewart evita falar. Ele prefere usar a expressão: “2015 será um ano desafiador”. Em uma conversa rápida na redação de AGazeta.Net, o empresário adianta algumas novidades, com destaque para a possível chegada da Adidas e da Iplace, a autorizada da Apple.
Como essa crise chegou nos shoppings?
O cenário de2015 é muito desafiador e é fruto do que foi plantado pelo Governo. O Governo exauriu o modelo de crescimento pelo consumo, exauriu o modelo de incentivos pontuais, de políticas fiscais verticais, ao invés de políticas fiscais industriais mais horizontais. Então, houve um processo de seleção e de isenções fiscais que acabaram trazendo consequências ruins, nefastas. Depois, usou-se recursos do Tesouro, através da Caixa e do BNDES para se criar mecanismo de incentivo que hoje se mostram caros e, em certas situações, arbitrando uma perda. Porque o mercado pratica uma taxa de juro de 14 ou 13,5% e emprestamos, através do BNDES a 5,5%. Essa arbitragem quem paga, de uma forma ou de outra é a população. Eu vejo o cenário extremamente desafiador. Mas, lembro que já passamos por outras crises, eu nasci em 64, vi todos os planos de então: Plano Sarney, Plano Collor, Plano Bresser I e II, Plano Verão, Plano Real, que trouxe estabilidade.
Qual a diferença dessa crise?
Essa crise tem um componente político muito grande. Um componente institucional maior do que as demais. Você vê hoje o deslocamento do eixo do poder do Executivo para o congresso, pela primeira vez o Parlamento tem hoje uma força que, há até alguns anos não tinha.
Se o cenário é desafiador, por que expandir para o Acre? O que o Acre tem de atrativo?
Nós já estávamos no Acre. Estamos aqui há quatro anos, então, a tomada de decisão de vir para o Acre foi há seis anos, em um outro cenário, em um outro contexto.
O Acre te surpreendeu?
Positivamente.
Que números você apresentaria?
Eu tenho hoje crescimento de tráfego [quantidade de pessoas que transita no shopping. Tecnicamente, é o primeiro instrumento que garante o consumo: trazer o cliente para o condomínio de lojas] e de vendas na marca de dois dígitos, de 16 a 17% de crescimento de vendas e crescimento de tráfego nessa mesma toada. O shopping de 2014 para 2015 só apresentou melhoras. Ao contrário da maioria. O Via Verde vem apresentando resultados nesse primeiro semestre quase fechado já de 2015 muito bons.
Como é que esses números que, segundo você, “são muito bons” não conseguem refletir na qualidade de serviços oferecidos pelo shopping? Esse é um problema que não você quem responde diretamente, mas, indiretamente, sim. Qualidade de atendimento, ofertas, exposição de produtos…
Isso é um “gap” [termo que indica uma “diferença”; um problema de diferentes fatores]. Primeiro, o aumento de vendas está diretamente ligado ao aumento de tráfego. O varejista precisa garantir tráfego para converter tráfego em venda. O que acontece aqui em Rio Branco, assim como também a nossa experiência em Boa Vista. Existe um “gap” de profissionalismo, nas competências mesmo de gestão básica que os lojistas aqui ainda não têm como há em Belo Horizonte, Porto Alegre, São Paulo, rio, Fortaleza, Recife. Esse “gap” vai ser resolvido como? Com treinamento, Educação. E isso nós estamos implantando aqui também no Via Verde com palestras, cursos não apenas ao lojista, mas aos gerentes e aos vendedores.
É possível pensar em expansão em 2015?
Em 2015, não.
Qual a novidade pode ser adiantada?
Temos contrato assinados com a Polo Wear (linha “premium” de confecções), temos contrato assinado com a Adidas, estamos em assinatura com a Malwee (duas lojas) e também com a IPlace, o “reseller” autorizado da Apple [parceiro comercial de uma indústria]. Temos no nosso pipeline, muitas lojas de expressão nacional.
O senhor esteve com o governador em audiência. O que pode ser feito em parceria com o Governo?
Há um conceito de shopping que está mudando e que é preciso obervar com carinho. O shopping não é mais o lugar onde apenas e exclusivamente se faz compras. É óbvio que as vendas são importantes, mas não são apenas as relações de consumo que importam para o shopping atualmente. Existe uma estrita aproximação de serviços, inclusive serviços públicos que interessam nessa relação entre os shoppings e as comunidades onde eles atuam. A conversa teve esse espírito.


