Mobilização aconteceu em vários lugares do país
Como aconteceu em vários estados do país, no Acre também houve protesto a favor da vaquejada. Mas, a mobilização fracassou em público e organização. Sobre os argumentos de que os animais não são maltratados, o movimento não conseguiu falar a mesma língua.
O protesto em uma espécie de cavalgada tinha horário previsto para começar às 2 da tarde, mas já passava das 15:30 e o cortejo não estava organizado pra sair. Além do atraso, a coordenação pecou em escolher o período mais quente do dia, para expor os animais num protesto que tinha como objetivo demonstrar que a vaquejada não está ligada a maus tratos.
Na semana passada o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu derrubar uma lei do Ceará que regulamentava a vaquejada. O “esporte” com origem nordestina consiste numa corrida de dois vaqueiros a cavalo que têm de perseguir o boi até derrubá-lo pela cauda.
Segundo o médico veterinário Carlos Henrique Amorim, a vaquejada tem sofrido adaptações para reduzir o sofrimento dos animais. “O boi corre numa areia macia de mais ou menos 5 ou 6 centímetros de profundidade e hoje se usa a cauda artificial justamente pra não prejudicar o boi. Não é arrancado o chifre, é feito cirurgia.
Os animais são tratados com anti-inflamatório, com medicamentos. A vaquejada está evoluindo. O laço tem protetor de chifre pra não machucar o chifre dos animais”, explica.
Durante o protesto os defensores da vaquejada enfatizaram o fator econômico apontando regiões do país que dependem da atividade para subsistir. “Mostrar que nosso esporte é de pessoas de bem, trabalhadoras, que não maltratam animais, que geram emprego, amizade”, disse um dos organizadores da manifestação, José Lins.
Os manifestantes também insistiram em falar sobre o recurso que é gasto com cavalos, alimentação e tratadores, mas quem está envolvido com o esporte não consegue explicar o equilíbrio entre o que é ou não maus tratos.
“A gente não pode esconder que hoje numa vaquejada que corre mil bois tem uma porcentagem muito grande de “quebra cauda”, mas é o quê, só tirar a luva. Quem quebra cauda de boi é a luva. O boi corre numa cama de areia forrada. Quem não souber o que é vaquejada pega um vídeo e vai assistir pra ver o tanto de tombo que cavalo pega, vaqueiro pega e não morre”, disse o produtor rural José Barnabé Matos.
Por 6 votos a 5 o STF entendeu que a vaquejada impõe sofrimento aos animais e com isso, fere princípios constitucionais de preservação do meio ambiente. A presidente do STF, ministra Carmen Lúcia destacou que “sempre haverá quem defenda que vem de longo tempo, e que se encravou na cultura do povo. Mas, cultura se muda e muitas foram levadas nessa condição até que se houvesse outro modo de ver a vida, não somente ao ser humano”.


