Artigo publicado no site da CACB
O cenário preocupante e grave da vida nacional, tanto na ética, como na política e na economia nos aponta para novas direções capazes de para mudar a sensação de não ter saídas.
Diante desta realidade, retomo a proposta de um grande pacto nacional para deslocar as crises. A proposição, feita no meu discurso de posse, em março, ganha impulso se considerarmos o empreendedorismo como língua universal.
A chama empreendedora é a saída. Tenho certeza. Basta constatar que, decorrente do desemprego, muitos brasileiros investem, suas indenizações, na criação de um negócio próprio. Os números são reveladores e trazem um certo ânimo porque mostram que o impulso de vencer e de sonhar estão intactos em todos nós, apesar de tudo.
Micro e pequenas empresas são a base da economia brasileira e representam mais de 90% dos estabelecimentos empresariais existentes no Brasil. Dentro deste contexto, a CACB, cujo DNA vem da chama empreendedora, já pensa em ações sustentáveis para este segmento.
Sabemos das dificuldades. Mas vemos o empreendedorismo como uma possível saída que precisa ser sustentável. Nosso papel de entidade representativa é ajudar para que estas iniciativas não morram na praia. Por esta razão propomos uma reflexão que aponta para o futuro.
Acreditamos que são muitas as necessidades que precisam ser atendidas e carecemos também de ferramentas que servirão de lastro para o futuro. É preciso esclarecer, no entanto, que o Estado não deve ser o responsável por prover tudo. É neste cenário que propomos ideias factíveis, que podem e devem ser sempre compartilhadas no meio público e privado.
Estas ideias fixam a base para um possível pacto nacional, com a participação integral de iniciativa privada e das entidades representativas. Elas começam pela busca do equilíbrio fiscal, seguem pela construção de pontes que facilitem o acesso do Brasil ao mercado global, continuam na imperiosa urgência de ajustar o financiamento que é caríssimo e escasso para o empreendedor.
Neste pacto está implícita a participação da sociedade e sua disposição de estar pronta para sacrifícios de curto prazo (nada é pior do que sacrifício advindo do desemprego, da inflação e da falta de perspectivas).
Destaco, com ênfase, que nós, empresários, sentimos falta de uma agenda empresarial no País através da união empresarial no sentido de elaborar um plano de curto prazo. E no longo prazo, para sustentar tudo isso é imperioso que sejam implementadas as reformas previdenciária, fiscal, trabalhista e política. Acreditamos que é criando e tomando atitudes que vamos evitar esta sensação de esgotamento que nos paralisa.
Conto com vocês.
* George Pinheiro é presidente da Confederação das Associações Comerciais e Empresarias do Brasil (CACB)


