Grupo pagou foi salvo por motorista rondoniense
Todos os dias novos grupos de imigrantes chegam ao abrigo de Rio Branco. Haitianos, dominicanos e senegaleses, com o pouco dinheiro que conseguem, pagam a coiotes uma boa quantia para que abram o caminho.
Os imigrantes saem de seus países sem passaporte e se arriscam em uma cruzada que até então, tem se mostrado certa. A meta é chegar ao Brasil, que mesmo com limitações, tem hospedado e ofertado emprego aos imigrantes.
Quem pensa que os riscos terminam ao colocar os pés no Brasil se engana. Um grupo de senegaleses que acabou de chegar é prova disso. Eles foram socorridos na Estrada por um brasileiro, depois de serem abandonados por um taxista que cobrou US$ 400 dólares para transportá-los até Rio Branco.
“Encontrei eles na entrada de Xapuri, enquanto voltava de Brasileia. Vi os quatro andando na estrada, fiquei com pena e dei carona. Depois descobri que um taxista havia cobrado $ 100 dólares de cada para trazer até Rio Branco e no caminho mandou que descessem”, disse o vendedor autônomo Hélio Reis.
Hélio é rondoniense e está trabalhando no Acre. Ele decidiu dar carona, sem saber que a atitude representava muito mais para os africanos que só ficaram com R$ 10 no bolso. “A gente tem que fazer pelos outros o que desejamos que façam conosco. Os taxistas profissionais cobram R$ 250 a lotação de Brasileia a Rio Branco. Então, o que esse taxista fez foi uma sacanagem”, disse.
Os amigos Mor Meg, Mor Jen, Hebraim e Abdou estão gratos pela iniciativa do brasileiro que os tirou de uma enrascada. Eles não falam português nem espanhol, mas os gestos explicam a gratidão.
Com ajuda de outros imigrantes que traduziram a conversa ao chega no abrigo, foi possível compreender a história dos senegalezes, que agora esperam ter mais sorte no país que deu acolhida, mas que mostrou no primeiro contato, que por aqui a coisa não é tão fácil quanto parece.


