2,8 mil trabalhadores foram demitidos este ano
O presidente do sindicato dos trabalhadores da construção civil decidiu fechar as portas da entidade na manhã dessa quarta-feira. Sem dinheiro até para pagar a energia elétrica, Jose Adelmar Moura demitiu os sete funcionários que mantinha.
O sindicalista denuncia que as grandes empresas da construção civil se apropriaram do repasse da contribuição sindical, que é aquele dia de trabalho descontado do trabalhador no mês de março.
A metade do arrecadado vai para o sindicato, só que muitas empresas ficaram com o dinheiro. “O nosso prejuízo chega R$ 60 mil, não temos dinheiro para nada. O jeito vai ser buscar nossos direitos no Ministério Público do Trabalho. Se descontou do trabalhador, tinha o dinheiro, só que embolsaram”, reclamou.
Além da contribuição sindical, os empresários não estão depositando o FGTS e quando demitem os trabalhadores não pagam as verbas rescisórias, informou o sindicato. José Adelmar revelou que essa é a pior crise já registrada na construção civil do Acre. “Muitas obras estão paradas, são raros os canteiros de obras”, alertou.
Historicamente o mês de julho era marcado pelas contratações em massa das empresas da construção civil, que aproveitavam o fim do inverno para recomeçar as obras. Eram criados até 6 mil postos de trabalho.
Esse ano o sindicato acredita que no máximo mil trabalhadores estejam nas obras e todos correm o risco de serem demitidos a qualquer momento.
Nas contas do Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil, só esse ano, foram 2.800 trabalhadores demitidos e uma empresa, a maior da cidade, já anunciou a saída de mais 200. A revolta do sindicalista é que a desculpa dos empresários quando são cobrados pelos funcionários é que o governo fechou os contratos ou não paga o atrasado.
O presidente do sindicato das empresas da construção civil – Sinduscon, José Afonso, disse que a falta de pagamento das verbas rescisórias, da contribuição sindical e depósito de FGTS são problemas gerenciais de cada empresa, e cabe aos trabalhadores buscarem seus direitos na Justiça.
“Agora as demissões e falta de obras é um problema nacional que vem afetando todos os setores e a construção civil não seria diferente”, acrescentou. Mas o sindicalista acredita que pode haver uma melhora nos próximos meses com o lançamento do programa ruas do povo pelo governo do estado, onde serão investidos R$ 260 milhões criando 3.500 empregos e uma nova etapa da casas da cidade do povo.


