Mesmo situada no coração da floresta amazônica, Rio Branco enfrenta um cenário de arborização aquém do esperado e está entre as cidades menos arborizadas do país. Nos últimos meses, a retirada de árvores em áreas centrais da cidade tem chamado a atenção, com destaque para a remoção dos Ipês que adornavam a fachada do Tribunal de Contas do Estado (TCE).
A questão levantou debates sobre os critérios para a retirada de árvores na capital acreana. O Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Estado esclareceu que toda ação de deslocamento ou supressão deve ser autorizada por licença específica, com a devida especificação do procedimento e a compensação necessária por meio do plantio de novas espécies.
Segundo o Secretário Municipal de Meio Ambiente (Semeia), Carlos Nasserala, a retirada das árvores geralmente ocorre em situações de risco à vida dos cidadãos.
“A Semeia faz todo o estudo, todo o levantamento para poder dar autorização para poder fazer a supressão ou então o transplante dessas árvores. No caso lá da frente do Tribunal de Contas do Estado, na Avenida Ceará, havia 10 Ipês. Sete foram feitos os transplantes lá para o Parque Tucumã. Você pode chegar lá e ver qualquer cidadão pode passar lá na caminhada e ver que está lá plantado”, explica o secretário.
O processo de retirada e replantio dos 10 Ipês em frente ao Tribunal de Contas foi acompanhado de perto pelas autoridades locais. O secretário explicou que a supressão foi necessária devido a problemas estruturais e de acessibilidade, sendo que sete árvores foram transplantadas para o Parque Tucumã enquanto outras três, devido ao porte, foram compensadas com o plantio de 65 mudas de espécies diversas.
“Eles estavam comprometendo a caminhada de pessoas dos cadeirantes ou pessoas com pouca visibilidade, com pouca visão, as raízes estavam danificando toda aquela calçada de pedestre, o TCE fez a compensação e plantou 47 árvores, 18 árvores serão plantadas exatamente na frente do TCE para substituir essas sete. No total foram feitas a compensação de 65 árvores por três que foram feitas a supressão”, esclarece.
Por outro lado, o arquiteto e urbanista Eduardo Vieira criticou a forma como a retirada e substituição das árvores foram conduzidas. Ele apontou falhas no replantio das espécies e enfatizou a importância de considerar alternativas para a preservação das árvores nativas, especialmente em uma cidade tão pouco arborizada como Rio Branco.
“Eu acho que está tendo muito pouco cuidado por conta do poder público. A gente observa muita supressão, muito corte, muita poda mal feita. No caso específico do TCE é muito lamentável. Eu acho que o que foi feito ali está totalmente errado. Suprimiram espécies nativas, que eram os ipês rosa que haviam ali. Havia espaço para recuar o muro e manter aquelas árvores. O transplantio foi feito de forma incorreta. Então as espécies que foram replantadas dificilmente irão sobreviver”, enfatiza o arquiteto.
Vieira ressaltou a necessidade de adoção de práticas adequadas de plantio para garantir a sobrevivência das novas árvores e o conforto térmico e ambiental na cidade.
“E foi plantado em compensação espécies absolutamente exóticas. Ali na calçada vão ser plantadas palmeiras, que são nativas do Madagascar. Não tem nada a ver com a Amazônia. Nós estamos em uma região tropical muito quente e se a nossa cidade fosse arborizada, o conforto térmico seria muito maior para a população, principalmente aquela que caminha pelas nossas calçadas. E é isso que deveria ser priorizado sempre”, conclui Vieira.
Matéria em vídeo produzida pela repórter Wanessa Souza para a TV Gazeta


