Combate é parte da execução da política pública em Saúde
O encerramento da semana Municipal de Combate a Hanseníase foi realizado hoje (30) no teatro Plácido de Castro e contou com a presença de pessoas que fizeram e/ou ainda fazem o tratamento da doença, além de familiares. Em 2015, Rio Branco notificou 48 novos casos de hanseníase, este ano até o momento foram notificados 16.
A responsável pela área técnica de hanseníase de Rio Branco, Mônica Brasileiro, falou da importância de se promover esse tipo de evento. “A gente quer chamar a atenção da população, porque infelizmente é uma doença muito antiga, mas algumas pessoas ainda a desconhecem. Então, nesse evento a gente quer divulgar a hanseníase, como sepega, como tratar e que ela tem cura”.
Mônica explica ainda que atualmente o tratamento é de fácil acesso, e que diferente de anos atrás quando os hansenianos eram distanciados de suas famílias, hoje eles podem se tratarem casa.
“Tendo a suspeita da doença é importante procurar a unidade de saúde, sendo constatada a doença, a pessoa já começa o tratamento, na primeira dose do medicamento e pessoa já não transmite mais a doença”.
A coordenadora do Mohan Acre, Terezinha Prudêncio, foi portadora da doença em meados dos anos 70, quando ainda existia muito preconceito e os doentes eram exilados.
Na ocasião ela teve que ser separada dos 6 filhos, a mais nova tinha apenas 2 anos. “Foi muito dolorido (sic), foi muito difícil, você ver o seu filho sair chorando e você ficar chorando, o seu filho pequenininho sem saber o que está acontecendo. A noite não ter o calor dos meus filhos e nem eles ter o meu calor”.
Aposentada, a senhora Alda Lopes de Amorim sofreu duas separações, a primeira, do pai, que é portador da doença, foi levado a uma colônia. Ela conta que ele fugiu do local por duas vezes, mas na segunda vez ele se perdeu e não conseguiu retornar pra casa.
“A segunda vez ele fugiu por dentro do Belo Jardim pela beira do rio (sic), se perdeu. Naquela época o pessoal da Sucam andava borrifando as casas dos seringais e encontrou um monte de urubu. Eles foram olhar o que era, quando chegaram lá, eram os restos do meu pai”, contou Alda.
O sofrimento não parou por aí, Alda era amais velha de 6 filhos, após a morte do pai, ainda jovem precisou trabalhar pra ajudar em casa, chegou a ser aliciada por um patrão. Anos depois a segunda separação, em meados do ano 1976,ela foi separada do filho que tinha apenas 2 meses de vida.
Alda fala que o filho também sofreu preconceito. “As namoradinhas dele quando descobriam que ele era filho de hanseniana. Elas terminavam com ele. Então o preconceito existe até hoje”.
Pensando no sofrimento não só das pessoas que passaram pela luta contra a doença, mas também nos filhos que sofreram ao serem separados de seus pais o Mohan agora luta para garantir direitos a benefícios a essas pessoas. “O Mohan está numa luta para ver se esses filhos vão ter o direito também de receber um beneficio, porque eles também sofreram”.


