De acordo com o último boletim da Defesa Civil de Rio Branco, o Rio Acre atingiu o nível de 2,68 metros nesta terça-feira (28), o que representa uma diminuição de 11 centímetros em relação ao dia anterior. Este novo patamar tornou-se o menor registrado em 2024 até o momento.
Especialistas alertam para uma severa estiagem este ano, com destaque para o Rio Acre que deveria estar com 5,4 metros, mas encontra-se com apenas 2,68 metros. O nível do rio continua abaixo dos 3 metros na capital acreana e permaneceu em 2,79 metros na segunda-feira (27), após uma redução de 9 centímetros em 24 horas, apesar da ocorrência de chuvas na última sexta-feira (24).
A Defesa Civil Municipal ressalta que, em maio do ano passado, a menor medição foi de 7,27 metros, enquanto a média para esse período seria em torno de 5 metros. A falta de chuvas adequadas compromete o abastecimento hídrico, com apenas 54,1 milímetros registrados durante todo o mês, abaixo da previsão de 102 milímetros.
O pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisa da Amazônia, Evandro Ferreira, destaca que a região já enfrenta consequências da baixa quantidade de chuvas, com solos secos e lençóis freáticos escassos. A falta de umidade do solo dificulta a recarga dos rios e igarapés, o que impacta diretamente no nível do Rio Acre.
“No ano passado, em 2023, no segundo semestre, na Amazônia, se registrou um período dos últimos 40 anos que menos choveu. Então o solo já ficou com um lençol freático muito escasso, pouca água no solo. E também altas temperaturas que aconteceram na região acelerou o processo de evapotranspiração, ou seja, a perda de água. Então nós chegamos em 2024 com essa condição, pouca água no solo”, explica o especialista.
O especialista explica que com a quinta onda polar em curso, a situação tende a se agravar, com baixa umidade do ar e má qualidade do ar, o que alerta as autoridades para medidas preventivas, especialmente na área da saúde pública. Problemas respiratórios e riscos de incêndio são algumas das preocupações levantadas devido às condições climáticas desfavoráveis.
“E com essa baixa umidade, você pode ter problemas de doenças respiratórias, quando chega no período seco, se você tem, por exemplo, friagem em junho, que é um período bastante seco, tem risco de incêndios. Então, é uma coisa a ser considerada. Tem a questão da saúde e a questão do meio ambiente de ser prejudicado”, conclui.
Matéria em vídeo produzida pela repórter Wanessa Souza para a TV Gazeta


