Duas últimas mortes colocam PM no foco do debate
A atuação da Polícia Militar do Acre esteve no centro do debate de pelo menos três reuniões tensas na cúpula da Segurança Pública durante toda esta quarta-feira. Os casos envolvendo Charlesmar da Silva (mais conhecido como “Jackie Chan”) e Tiago Rodrigues da Silva, ambos com diversas passagens pela polícia, colocam sob suspeição a atuação da Polícia Militar.
As investigações ainda estão no início, mas os relatos de testemunhas contrastam com as versões da polícia. São dois exemplos de como anda a temperatura nos quarteis com o clima de terror psicológico executado por grupos que atuam a partir dos presídios.
Foram feitas ameaças a policiais militares e isso trouxe “tensão” aos quarteis. Policiamento foi reforçado em casas de policiais. Essa instabilidade entre os profissionais da Segurança é um dos alvos atingidos pelos criminosos.
Nem Charlesmar e nem Tiago representam lideranças entre grupos organizados. A resposta criminosa às forças de Estado pode ser a desculpa encontrada por lideranças de facções para gerar o pânico na corporação. O vazamento de uma música com versos de apologia ao crime é um exemplo da estratégia dessa “guerra psicológica” executada a partir dos presídios do Acre.
O delegado Fabrizzio Sobreira trabalha com a tese de execução de Charlesmar da Silva, mais conhecido como “Jackie Chan” ou “Charles”, 33. Ele foi morto na madrugada do dia 29. Tinha diversas passagens pela polícia. “Há várias possibilidades, inclusive de que algum grupo organizado do qual ele fazia parte tenha executado o assassinato”.
O delegado descarta a hipótese de que a execução tenha sido feita por policiais militares. “Mas, as investigações serão feitas”, adverte.
O comandante do policiamento operacional, Cel Ulisses Araújo, preferiu o silêncio em relação ao caso. “Eu prefiro não me pronunciar sobre esse caso pelo fato de ainda estar sob investigação”, ponderou.
Chalesmar da Silva era suspeito de ter participado do grupo que tentou matar dois policiais militares na noite do último domingo na Baixada da Sobral, periferia de Rio Branco.
O caso da morte do jovem Tiago Rodrigues da Silva, 28, é mais complexo. Não há nenhuma relação (ao menos até agora) entre Tiago e os policiais atingidos por tiros na Baixada da Sobral. Ele foi morto no bairro Triângulo Novo (no Segundo Distrito).
Testemunhas garantem que ele foi morto no segundo confronto da noite com policiais. O primeiro teria ocorrido ainda na noite de terça-feira, durante o apagão que houve por volta das 11 horas da noite. Horas mais tarde, já na madrugada de quarta, houve a perseguição e a consequente morte do jovem.
O Comandante do Segundo Batalhão da PM, Major Bino, que realiza o policiamento no Segundo Distrito, saiu em defesa. “O policial sai para o trabalho para preservar a vida, mas, nesse caso, houve reação e os policiais tiveram que responder”.


