Ele admite falhas, mas contesta decisão da direção
No município de Cruzeiro do Sul, um professor de Física, da Escola Henrique Ruth, se amordaçou em protesto contra uma decisão do conselho escolar que optou por devolver o profissional à Secretaria de Estado de Educação.
Revoltada com a medida, a classe estudantil também manifestou apoio ao professor, na manhã de hoje (8). Eles foram à escola com cartazes e faixas, mas foram barrados no portão e não tiveram acesso ao interior da instituição.
“Além do objetivo de trazer o professor de volta, nosso objetivo aqui é acabar com a opressão que o ditador instalou aqui nesta instituição desde o dia que ele assumiu o cargo.” explicou o estudante, José Irlan.
O estudante reclama ainda de vários outros problemas que existem na escola. “Hoje por coincidência apareceu um vigia que ninguém sabe de onde. Não tem lixeira, não temos várias coisas básicas, mas o diretor foi na sala dizer que vão investir três mil e seiscentos reais numa mesa de ping pong. Essa é a nossa realidade, não é só pelo professor. É por todos nós”.
O diretor Jair de Sousa Costa se defende e diz que a devolução do profissional foi devido a “vários problemas” que a instituição teria tido devido à conduta dele.
“Isso não é um tema que gente deveria levar pra imprensa, por questão de ética profissional, mas o servidor decidiu tornar isso público. Desde o início o servidor vem descumprindo com suas atribuições funcionais, questão de faltas repetitivas, atraso”.
O professor Emerson de Aguiar Corsini também deu sua versão para o caso. Para ele, o caso se deu forma arbitrária por parte da direção da escola. “Reconheço algumas falhas, mas o processo se deu de forma arbitrária. Em nenhum momento recebi uma advertência formal”.
Para reforçar que o fato foi tratado de forma arbitrária, Corsini remete a lei, que garante em caso de Processo Administrativo Disciplinar, o direito a ampla defesa e o contraditório. O que, segundo ele, lhe foi negado.
“Houve uma reunião ordinária com o conselho a pedido do diretor. No momento em que as acusações seriam feitas contra mim, a presidente do Conselho Estudantil pediu que eu me retirasse”. E completou. “Se vai me punir, pune na proporcionalidade. Estou sendo acusado de ser mal profissional, incitar os alunos, causar um caso que já existia”.
Agora, o professor disse que vai tomar as medidas cabíveis, primeiro vai pedir a avaliação da licitude do processo e deve entrar ainda com ação na justiça, já que de acordo com ele, as declarações feitas sobre ele denigrem a sua imagem.


