“Como é que vou alimentar meus meninos?”
O agricultor José Ferreira tenta cuidar dos únicos pés de macaxeira que restaram na propriedade que possui. Para manter a principal fonte de renda, uma casa de farinha, ele teve que comprar o produto de outras regiões.
Sem chuva há 90 dias, os produtores da zona rural de Rio Branco amargam os prejuízos. “Fiquei no prejuízo porque eu não esperava, estou comprando a macaxeira porque na minha terra não está dando para colher. Fico triste, como é que eu vou alimentar meus meninos?”, lamentou o agricultor.
Mesmo morando às margens do Rio Acre, o produtor rural Edmir Evangelista não consegue captar a água por causa do baixo nível. Até o poço está raso e a água está racionada. Resultado: as hortaliças estão morrendo.
No pomar, as frutas também secaram. “A plantação a gente planta e tá morrendo. Tenho um roçado que plantei e tá todo morrendo. A água é ouro, porque sem água ninguém vive. (…) Tenho três poços, está tudo seco. Estou dependendo agora do rio”.
O prejuízo já é sentido também nos mercados da cidade. Na Central de Abastecimento, alguns produtos estão em falta e os preços dispararam. A saca com 20 quilos de limão, que até junho custava R$ 10, não sai por menos de R$ 100.
A maior parte das frutas passou a ser importada. Além disso, escoar a produção por meio do rio já não é possível.
“A gente já tem falta de água para alguns produtos, como as frutas, limão que saiu de dez reais pra cem reais, o abacaxi que a gente quase não encontra… a melancia. As frutas são mais exigentes em quantidade de água, e essa quantidade de água está muito afetada nesse período de seca”, explicou o Secretário de Agricultura de Rio Branco, Mario Jorge Fadell.
A falta de chuva ainda deixa o ambiente mais propício para as queimadas que destroem florestas e plantações. Desde o início da semana, Rio Branco sofre com uma densa nuvem de fumaça que afeta a saúde das pessoas.


