Mão de obra, mercados e investimentos em jogo
Associação Brasileira de Criadores de Suínos calcula que, no Brasil, a cadeia produtiva da suinocultura empregue aproximadamente 1 milhão de pessoas. Nas regiões do Sudeste e Sul, o capital instalado já conquistou mercados exigentes e, mesmo assim, os sustos são cíclicos: 2014, por exemplo, foi um ano referência pela crise que se instalou.
Somente agora, no fim de 2015, o segmento começa a respirar um pouco mais aliviado. Se em estados como Minas Gerais e Santa Catarina, a crise na suinocultura é cíclica e muito dependente dos humores europeus (sobretudo da Rússia), por que o Estado do Acre resolveu entrar nesse nicho?
Os fatores são vários: o capitalismo estatal instalado aqui no Acre se comprometeu no palanque a apostar na industrialização: há, portanto, um compromisso de ordem política em ampliar a base produtiva.
O segundo fator guarda relação com a mão de obra. Na cadeia produtiva da suinocultura no Acre, ainda é permitida uma mão de obra de baixa qualificação, o que está afinado com a realidade do setor primário acriano.
O terceiro fator tem relação com a geografia. O Governo do Estado, a Agência de Negócios do Acre e os técnicos da Dom Porquito apostam alto na ideia de que a suinocultura daqui pode ser uma alternativa concreta para o mercado andino.
Existe até alguns assessores mais empolgados que já falam em Ásia e Rússia. Mas, o bom senso prevalece e o que predomina é a ideia de “consolidar presença gradual” em mercados mais próximos.
Do ponto de vista estritamente mercadológico, a Dom Porquito tem condições de se consolidar mais rapidamente do que a Peixes da Amazônia. Os desenhos administrativos são semelhantes, mas mercado do peixe é muito mais sensível, instável e vulnerável, comparado à suinocultura.
Papel do Estado
Quando o governador Tião Viana descerrar a placa de inauguração, uma antiga discussão volta ao destaque: a participação do Estado, interferindo na Economia. É papel do Estado produzir porco? Produzir peixe? Produzir galinha?
Oficialmente, a Agência de Negócios do Acre divulga que já foram investidos R$ 85,1 milhões no projeto Dom Porquito, desde a criação em 2012. E mais: a previsão é de que outros R$ 43 milhões sejam aplicados até 2018.
Desse volume de recursos, quanto há de dinheiro público? Quanto há da iniciativa privada? Quanto há do pequeno produtor?
Por outro lado: o que fazer? Cruzar os braços? Não ampliar a base de produção? Não apoiar o pequeno produtor? Não apoiar o médio produtor? Não incentivar projetos que unam tudo isso e promovam o comércio regional?
Infraestrautura
De uma responsabilidade, o Estado não pode fugir: garantir infraestrutura. E nesse aspecto todo o país vai mal. O Alto Acre sentiu, nas granjas, a falha estatal em setembro deste ano: um apagão levou à morte mais de 12 mil frangos.
Os animais morreram por causa do calor. Não houve uma auditoria que contabilizasse com segurança os reais prejuízos: os números oscilam muito. Mas, o fato é que a Acre Aves, a agroindústria que absorve a produção da região, foi surpreendida.
Obs: No domingo, o site AGazeta.Net publica a terceira reportagem da série sobre suinocultura no Acre.


