Tratado formalizou adesão do território ao Brasil
O Tratado de Petrópolis foi firmado em 17 de novembro de 1903. O acordo formalizou a incorporação do Acre, ao território brasileiro. O estado era propriedade da Bolívia desde 1750. No início do século XX, a região foi povoada por aproximadamente 20 mil brasileiros, atraídos pela expansão da extração de borracha.
Segundo o historiador Marcos Vinícius, a dificuldade de acesso impedia que os bolivianos, donos da terra chegassem até os seringais e com isso, os brasileiros se apropriaram do local.
Apesar dos motivos econômicos serem fortes, numa época em que o látex era considerado o ouro branco, para o historiador, o Tratado de Petrópolis só aconteceu por que pesou na balança a presença expressiva de brasileiros em terras vizinhas.
“O Tratado pacificou a região, pôs fim a longa guerra, com vários movimentos, Galvez, Expedição dos Poetas, Plácido de Castro, enfim. Pôs fim a esse longo período de guerra e por outro lado consolidou oficialmente o Acre como território brasileiro. Por isso digo que o Tratado de Petrópolis em alguma medida é a certidão de nascimento brasileira do Acre”, explica.
Após várias tentativas de retomar o território, a Bolívia decidiu abrir mão e aceitou o acordo. Para o historiador, quem saiu ganhando foi o Brasil, não apenas pelo novo estado, mas também pelo preço do tratado.
“A Bolívia recebeu em troca do Acre cerca de 3 mil quilômetros quadrados de território alagado na região do Mato Grosso, pra ceder 180 mil quilômetros, ou seja, uma diferença de território absurda. Além disso, a indenização em dinheiro, mesmo que tenha sido elevada, é dinheiro, acaba, entra em caixa e vai embora. A rodovia Madeira Mamoré foi efetivamente construída, mas quando ficou pronta em 1912, já era o finalzinho do ciclo da borracha. Já em 1913 houve crise da borracha e a rodovia ficou obsoleta. Então praticamente a Bolívia não teve nenhuma vantagem ao ceder o Acre pro Brasil”, opina.
Através de negociações diplomáticas, Barão do Rio Branco, na época ministro das relações exteriores coordenou as negociações com a Bolívia. A cidade onde vivia, também entrou para a história dando nome ao Tratado.
“O Barão do Rio Branco tinha uma casa de verão em Petrópolis, no interior do estado do Rio de Janeiro. Como a pressão sobre o tratado era muito grande. A opinião pública nacional e internacional estava muito focada nisso, Barão levou os negociadores brasileiros e bolivianos pra casa de verão em Petrópolis e lá foi negociado e assinado e por isso se tornou o Tratado de Petrópolis”, explica.
O Tratado não foi o início, lembra o historiador, mas não é menos importante que o período de luta pela ocupação do território. O conjunto histórico, de acordo com ele não deve ser esquecido, antes, precisa ser celebrado pelos acrianos.


