Wiles teve fotos apagadas ilegalmente
José Wiles Carvalho Torres, 30, atua como repórter-cinematográfico e repórter- fotográfico há sete anos. Com o trabalho, sustenta a criação de dois filhos. Estava prestando serviço na última noite de carnaval em Cruzeiro do Sul.
Ao fazer o registro de uma ação policial, um dos agentes que efetuava a prisão não quis ser fotografado e partiu para cima do jornalista para tomar-lhe o equipamento, com o argumento do “uso de direito de imagem”.
“Afirmei que estava trabalhando e registrando o trabalho dele, enquanto agente público”, lembrou Torres. “Ele tentou tomar minha câmera, mas não deixei. Ele quis que eu apagasse as fotos e eu disse que não apagaria”.
O repórter-fotográfico lembra ainda que o policial afirmou em tom nervoso: “Você não vai apagar, não? Então você vai para a delegacia”. Torres foi detido. Quando o repórter entrou na viatura, um dos policiais tomou a câmera dele. As fotos em que havia o registro da ação policial foram apagadas.
Wiles Torres ficou na delegacia das 3 horas da manhã, aproximadamente, até às 10 horas, após chegada de um advogado conseguido pela esposa. “Eles apagaram todas as fotos que fiz da ação policial”, indigna-se o profissional. “Eles não tinham esse direito. Eles estavam trabalhando como agentes públicos”.
O repórter diferencia a atuação dos policiais. “Nós sempre trabalhamos em parceria com a polícia, com os policiais antigos, mas estamos com alguma resistência com essa turma nova”, compara.
O caso foi parar na Corregedoria da Polícia Civil e no Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado do Acre. Nesta quinta-feira, uma parte da diretoria do Sinjac vai ser recebida pelo corregedor-geral, Josemar Pontes.
“Tudo o que estiver ao alcance da lei para que haja reparação pelo que foi feito ao profissional da imprensa será feito pela Corregedoria, mas temos que analisar todo o episódio”, pondera o assessor da Secretaria de Estado de Segurança Pública, Pedro Paulo.


