Na rede pública, o tratamento piorou drama
A produtora cultural Kamila Costa Oliveira, 31, não imaginava que tantas mulheres sofriam do mesmo drama que ela, quando postou um texto na internet. Em poucos dias, o desabafo tem quase 300 compartilhamentos e mil visualizações. Nos comentários, muitas brasileiras manifestam apoio e dividem experiências sobre o assunto.
O tema da postagem é “toda mulher tem o direito de ser mãe” e nasceu após Kamila experimentar várias negativas na rede de saúde pública e privada, quando procurou tratamento para engravidar.
A produtora foi diagnosticada com síndrome do ovário policístico e endometriose, doenças que também são responsáveis por dificultar a gravidez. Cerca de 10% das mulheres brasileiras sofrem dessas enfermidades.
A primeira busca por tratamento para infertilidade foi no Sistema Único de Saúde. Sem sucesso. Com recursos próprios, Kamila já chegou a gastar R$ 1.000 em um único medicamento que induz a ovulação. Ela já perdeu as contas de quanto desembolsou buscando tratamento.
Em 2013, engravidou, mas, com 11 semanas, o embrião não se desenvolvia e ela teve que fazer uma curetagem. Diante de tanto sofrimento para ser mãe, a jovem passou por mais um trauma.
“Eu já estava há dois anos tentando engravidar. Então foi uma felicidade muito grande. E aí, além de ter que conviver emocionalmente com o fato de ter perdido o bebê, fiz uma curetagem na maternidade e a raspagem foi mal feita, muito profunda. Com isso, o útero colou e a minha condição para ter uma nova gravidez piorou”, explica.
Sem nenhuma ajuda na rede pública, Kamila buscou tratamento em um convênio particular. Mesmo aderindo ao plano de saúde, a resposta que ela procurava não veio. “Eu li no regulamento dos planos de saúde e eles dão dupla interpretação. A endometriose, a síndrome do ovário policístico e a sinéquia (ovário colado) são doenças e eles têm por obrigação de disponibilizar tratamento quando a pessoa está doente”, disse.
O objetivo da Kamila é que a história dela ganhe repercussão principalmente no âmbito político. As bandeiras que ela levanta são pela fiscalização dos planos de saúde e pela construção de políticas públicas que amparem mulheres que, como ela, sonham em ser mães.
“Se debate tanto sobre a legalização do aborto, mas não se discute sobre o direito da mulher de ser mãe”, questiona.
O sonho ainda não acabou, garante Kamila. Ela iniciou por conta própria um tratamento de fertilização in vitro em outro Estado. A esperança da maternidade segundo ela move e não permite esperar.


