Polícia Militar reforça segurança na entrada dos detentos
A Unidade Prisional 4 (UP4), mais conhecida como Papudinha está passando por reformas que visam melhorar a segurança interna. Temendo novos ataques desde outubro, 160 detentos perderam o benefício do semiaberto, porque deixaram de comparecer ao prédio para dormir.
Em outubro do ano passado criminosos promoveram uma noite de terror no entorno do prédio da Papudinha, local onde presos do regime semiaberto pernoitam. No horário de chegada dos reeducandos homens fortemente armados tentaram invadir o prédio para matar integrantes de facções rivais.
O caso expôs a vulnerabilidade do local. A juíza da Vara de Execuções penais exigiu reformas e medidas no entorno da unidade para reforçar a segurança. E por falar em segurança, essa foi uma das palavras mais usadas por presos, que não queriam retornar a UP4, por que temiam novos ataques. Até mesmo protestos foram promovidos.
Segundo o diretor da Papudinha, Denis Pícolo, no aspecto de reforço humano, as exigências do poder judiciário foram atendidas. “Nós temos hoje a Polícia Militar dando apoio, os agentes penitenciários armados com armas longas, que a gente fala armas de grosso calibre”, explica.
Até hoje, poucas mudanças estruturais aconteceram na UP4. A maioria delas foi através de parceria entre o judiciário e a Federação das Indústrias do Acre (Fieac), com compra de material de construção.
No principal acesso ao público em geral, as grades que ficavam próximas ao alojamento, foram afastadas.
No prazo de dois meses, a meta é colocar grades em todas as portas onde os presos dormem e o diretor explica que no acesso principal dos presos, onde no dia do ataque, dois detentos foram baleados, a grade será removida, sendo substituída por uma parede com duas portas.
Com o aparente cessar fogo entre as facções criminosas o clima na unidade é mais tranquilo, mas não diminui a preocupação com a segurança.
Quando a noite cai, mais de 300 presos do regime semiaberto chegam para a UP4 para dormir e ficam juntos, no mesmo alojamento. Muitos fazem parte de facções. A direção da unidade defende que eles sejam separados. Uma parte ficaria no local e outra no prédio que fica aos fundos da Papudinha, onde há espaço suficiente para abrigar uma boa quantidade de pessoas.
“É um prédio que foi adequado para o semiaberto, então, como é um prédio adequado evidentemente que não vai ter a arquitetura que se pense para um preso do semiaberto. Com as adequações vai melhorar, não vai resolver, mas esse ano tem perspectivas de investimentos de recursos do governo e acredito que a partir daí a gente possa ver algum pensamento relacionado ao semiaberto”, opina.
A área externa do prédio é outra preocupação e que ainda não tem uma definição. “O projeto nosso total é que ele tenha um perímetro de segurança. Essa parte ainda não está contemplada no projeto, não tem o recurso pra fazer, mas foi pedido um perímetro de segurança, hoje realmente a unidade não tem”, acrescenta o diretor.
Entre as medidas exigidas pela juíza da Vara de Execuções Penais estão a retirada das árvores que ficam próximas e a demolição do prédio onde funcionava o Batalhão de Operações Especiais (Bope). Ações que ampliariam o campo de visão, diminuindo os riscos de emboscadas. As árvores, segundo Pícolo, não podem ser derrubadas, de acordo com leis ambientais e por isso, estão sendo podadas apenas. O Instituto de Traumatologia (Into) pediu ao governo o prédio do antigo batalhão da PM, que deve ser fechado com tapumes.
Desde o dia 18 de outubro, quando aconteceu a tentativa de invasão, até hoje 160 detentos perderam o direito ao regime semiaberto. Regrediram ao fechado por que não retornaram à Papudinha. Muitos alegaram que temiam morrer em um novo atentado. Segundo as regras, quem falta cinco noites seguidas perde o benefício e precisa esperar nova decisão judicial.


