Padre Massimo é Monsenhor Bievenu do Acre
A encenação da Paixão de Cristo executada nessa Sexta-Feira Santa foi uma das mais simbólicas já apresentadas no Acre. No palco instalado em frente ao Palácio Rio Branco, a trama já era conhecida: o roteiro foi inspirado há 2015 anos e encenado como sempre.
Mas, uma outra trama foi construída na versão acriana deste ano. No momento em que todos já estavam devidamente instalados e Pilatos já tinha lavado as mãos, eis que um mendigo entra no corredor. Esguio, alto, corpo moreno e sujo, ele veio. Silencioso. Carregava uma espécie de muleta.
A barba inculta e os trajes de morador de rua obrigaram a um cortês da igreja que assistia ao espetáculo que tomasse uma atitude: tentou indicar que o mendigo saísse dali. Padre Massimo Lombardi percebeu o drama e a força da situação. Não teve dúvidas: diferente do homem que tentou tirar o mendigo do ambiente, ofereceu o lugar ao inesperado fiel ao lado dos nomes mais importantes da Igreja Católica no Acre, incluindo o Bispo Dom Joaquim Pertiñez que, indiferente, a tudo assistia com o canto dos olhos.
A atitude do Padre Massimo lembrou muito a postura de uma antiga personagem de “Os Miseráveis”, de Victor Hugo. O nome da personagem era Mosenhor Bienvenu, o padre que simbolizava a parte da Igreja mais dedicada aos excluídos do que ao ambiente cortês presente entre os cléricos.
O repórter-fotográfico Clériston Amorim registrou a cena. Mas, quando foi atrás do mendigo para saber o nome e conversar com ele, o fiel inesperado já havia se perdido no meio da multidão.


