Maria Moreira: “um dia após o outro”
Maria Barroso Moreira, 43, tem três filhos. Um deles é aluno do centro de Educação Dom Bosco. Há um ano e 10 meses, iniciou tratamento contra o câncer de mama. O medicamento para a manutenção da saúde é caro: uma caixa com 30 comprimidos de aramasin custa R$ 715. Desde dezembro, o Governo do Acre não fornece o remédio que ela não pode deixar de tomar por cinco dias seguidos.
“Eu não tenho nada a reclamar da equipe de enfermeiros e médicos que me atenderam no Hospital do Câncer, mas eu tenho que denunciar esse descompromisso dos governantes”, disse a cabeleireira exibindo os documentos que comprovam uma ação formalizada junto ao Ministério Público e a abertura de um processo junto à Defensoria Pública.
Para não morrer, os amigos de trabalho do marido fizeram uma cota e compraram uma caixa do medicamento em janeiro. Em fevereiro, uma amiga comprou no cartão de crédito, o que a forçou a criar uma rifa que sorteará um tapete para poder pagar a dívida.
“Quando descobri que estava com câncer, o médico me disse que 50 por cento era fé em Deus; 25 por cento eu para eu confiar Nele e os outros 25 por cento era por minha conta”, contabiliza. “Mas, de uns tempos pra cá eu mudei essa matemática: vivo um dia após o outro. Procuro aproveitar mais o tempo com meus filhos”.
Em maio de 2014 retirou a mama esquerda completamente, o que exigiu que uma parte da outra mama também fosse retirada.
A Secretaria de Estado de Saúde explicou que o estoque do medicamento aramasin (exemestano) zerou “no fim do ano passado”. A compra de novo lote foi solicitada, mas, “por problemas burocráticos”, foi formalizada no início do ano e deve, segundo a Sesacre, estar disponível para distribuição em 25 dias.
Maria Barroso Moreira não pode ficar cinco dias sem tomar a medicação.


