Dados reforçam exclusão e rotina de violência
A Secretaria de Estado de Políticas para Mulheres calcula que entre 2010 e agosto de deste ano, 41 mulheres foram assassinadas no Acre. Em 2010, ano em que a economia apresentava bons indicadores, foi quando as acrianas mais sofreram com as tentativas de homicídio: 41.
Em 2012 e 2103, foram os anos que houve mais casos de homicídio. Oficialmente, foram 18 assassinatos (9 em cada ano). Um elemento que não está nas planilhas oficiais é o grau de violência com que os casos têm se apresentado.
Morte por esfaqueamento e por tiros são as mais comuns. O episódio deste fim de semana na Floresta Estadual do Antimary reflete um pouco esse cenário de violência e miséria a que estão submetidas mulheres e crianças no Acre.
Os dados oficiais tentam mostrar que casos como o assassinato de antes de ontem são casos isolados. Mas, a gravidade dos assassinatos denuncia que não há fatalidade. Antes de morrer, a mulher já é submetida a uma série de violências.
O caso da mulher assassinada junto com a filha no domingo no Ramal do Antimary, por exemplo: o delegado que cuida do caso confirma que já havia um registro de tentativa de estupro por parte do assassino contra a mulher. Outro exemplo: em janeiro, uma jovem, em Cruzeiro do Sul foi assassinada com 25 facadas pelo ex-companheiro que não aceitava a separação. E seguem os exemplos pelo Acre inteiro: o roteiro é quase sempre o mesmo.
Oficialmente, foram registradas 132 tentativas de homicídios entre 2010 e agosto de 2015. Não há estimativa segura de quantos casos de tentativa de homicídio deixam de ser denunciadas pela óbvia condição de exclusão e medo a que muitas mulheres estão submetidas.
Mas, há esperanças: o número de inquéritos policiais em Cruzeiro do Sul aumentou vertiginosamente nos últimos quatro anos. O que pode ser um indicativo de que as 5,3 mil mulheres que participaram de oficinas e palestras sobre o assunto nos últimos três anos estão, muito lentamente, conquistando a coragem perdida pela rotina de exclusão.


