Mato se espalha por todos os prédios do condomínio
Nossa equipe foi até o Residencial Andirá, para apurar denúncias de que casas populares estão sendo saqueadas e depredadas. Alguns imóveis aparentemente prontos para serem entregues a quem precisa, estão ficando sem equipamentos como pia, vaso sanitário e fiação.
A placa desgastada pelo tempo informa os dados de uma pequena parte da obra. Mais de R$ 11,6 milhões investidos na construção de 235 unidades habitacionais, no Residencial Andirá, localizado próximo ao bairro Apolônio Sales.
No entorno dos prédios, o mato se espalha. Em alguns locais, a vegetação invade paredes inteiras. A sensação é de abandono. O Residencial é grande, alguns blocos foram construídos há vários anos, outros pararam na fase inicial.
Quem cuida dessa imensidão é um vigia, que falou com nossa equipe do outro lado da muralha de alumínio onde fica guardando o material de construção que ainda será utilizado. Ele confirma a denúncia que recebemos, de que as unidades habitacionais estão sendo saqueadas. “Eles levam tudo que tiver dentro, fio, pia, vaso de banheiro”, disse o trabalhador, Adaildo Bandeira.
Em uma das unidades prontas pra ser entregue, totalmente pintada, entramos e constatamos a invasão de vândalos. A porta de alumínio foi retorcida, o forro de PVC foi retirado, pra que a fiação fosse roubada. No banheiro o vaso foi roubado, só sobrou a pia. Subindo a escada, ficaram os rastros dos vândalos, que também destruíram a cantoneira da parede pra retirar os fios.
Seu Adaildo Bandeira trabalha no Residencial há pouco mais de um ano e afirma que constantemente precisa acionar a polícia para conter os furtos no local. Contudo, ele reclama que muitas vezes, não é atendido. “Teve uma noite que quase não dormi, liguei ra polícia, expliquei, eles chegaram perto, mas logo foram embora”, disse.
O local, recentemente foi visitado por antigos moradores do Beco do H, Bairro Esperança, que foram retirados de área de risco. As famílias fizeram um protesto, bloqueando a Avenida Ceará, para denunciar que o aluguel social dos imóveis onde moram estava atrasado.
Alguns moradores diziam em atraso de até 5 meses. Reclamavam da demora em serem beneficiados por uma casa popular. Na época, o Secretário de Habitação trouxe até o Andirá, algumas famílias do Beco, para ilustrar onde poderiam morar futuramente.
Segundo funcionário da construtora, os trabalhos foram suspensos por falta de recursos. De acordo com a Sehab, a obra deve ficar pronta até o final do ano.


