Famílias não têm situação definida por poder público
Enquanto uns fogem dos desbarrancamentos, outros se arriscam aguardando definição sobre moradias populares. No bairro Cidade Nova moradores de casas próximas ao barranco do rio, estão saindo por conta própria do local. Outros temendo desmoronamento permanecem por que esperam uma casa popular e pedem socorro ao poder público.
O casal de idosos Mariza Rodrigues e José Araújo foi retirado de casa pela família por medidas de precaução. Eles vivem às margens do Rio Acre, mas o solo está abalando a estrutura da casa. “Tá caído minha casa. Tem uma rachadura no assoalho e tenho medo de cair enquanto estivermos dormindo”, disse Mariza.
Mesmo correndo risco, “seu José”, que sofreu derrame e ficou com parte dos movimentos comprometidos pede para ser levado à casa dele todos os dias. O idoso resiste sair de perto porque tem medo de não conseguir, através do Governo, uma unidade habitacional.
“Ele quer ficar lá, garantir a casa dele”, disse a sobrinha Ana Cláudia Ribeiro.
A sobrinha do casal cedeu um cômodo pequeno da moradia da família, que fica do outro lado da rua, para abrigar os pertences dos idosos. No entanto, ela quer ver a situação deles resolvida, para parar a agonia da incerteza sobre onde ficar.
“Esse pedacinho aqui é muito pequeno, sem estrutura pra eles. Não tem banheiro adequado e na frente o quintal é só lama”, relata a sobrinha.
As incertezas também preocupam outros moradores da região. Rafael Nascimento está com os pertences encaixotados, pronto para partir. Mas, ele também espera uma resposta que garanta segurança habitacional.
“Eu ligo para a assistente social ela diz pra eu ligar no 193. Ligo e o Corpo de Bombeiro pede pra eu ligar novamente no 193 pra acionar a assistente social. Então não entendo, quero saber quem é o responsável, competente para, nesse momento, nos auxiliar”, reclama o morador.
Na rua Beira Rio, no Bairro Cidade Nova, muitas famílias já foram retiradas, mas quem ficou em áreas mais perigosas como esta onde mora Rafael, está apreensivo. Enquanto não são retirados pela Defesa Civil, os moradores temem ficar, correndo risco de ver a casa ir abaixo, pelo movimento do solo.
“Eu ainda estou aqui por que na sexta-feira a assistente social falou claramente que se eu sair por conta própria perco meus direitos”, explica Rafael.
Nossa reportagem entrou em contato com a Defesa Civil Municipal, mas formos informados que todas as equipes estão de folga nesta segunda-feira. Os integrantes teriam sido liberados das atividades para tratamento médico.
Acionada pelos moradores, uma equipe do Corpo de Bombeiros esteve no local. Pela vistoria, foi constatada que a situação é crítica e as famílias precisam sair do local.
“Foi possível notar que, devido à baixa do rio, o barranco deu uma leve afastada. Foi orientado aos moradores que continuem procurando seus processos junto aos órgãos competentes e que se for possível, procurem as casas de familiares”, disse o cabo Emerson Levi.


