Janaira, 14, está casada há um ano
De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Acre é o segundo estado com maior índice de gravidez na adolescência atingindo mais de 20% da população na faixa etária. O dado preocupa, porque a gestação é de risco e, na maioria dos casos, o bebê nasce prematuro.
Com 8 meses de gestação, a adolescente Leidiane, 15, chegou sozinha à Maternidade Bárbara Heliodora, para mais uma consulta de rotina. Ela mora na área rural do município de Sena Madureira.
Mesmo com gravidez de alto risco, se aventurou a vir à Capital. “O médico disse que o neném está bem”, alegra-se. Quando questionada sobre a gravidez, ela diz “O momento não é bom, só porque não foi planejado”. O pai do bebê tem 17 anos, mas não convive com a garota.
A realidade desta jovem é a mesma de centenas de meninas acrianas que vivem a inesquecível experiência de ser mãe, sem ter se planejado para isso.
Segundo estudo do IBGE, a maternidade na adolescência reduziu entre os anos de 2000 e 2010, mas mesmo assim, os números ainda são alarmantes no Brasil. O Acre tem o segundo maior número de adolescentes grávidas do país.
O índice é de cerca de 20% da população acreana entre 15 e 19 anos. Na Maternidade Bárbara Heliodora, outro dado preocupa: mais de 70% dos partos de adolescentes são de bebês prematuros.
A neonatologista Maria Socorro Avelino explica por que a gravidez na adolescência é fator de risco para prematuridade. “A imaturidade orgânica e fisiológica, a adolescente pode ter anemia, desnutrição e isso contribui com o nascimento de uma criança prematura ou de baixo peso”, explica.
A médica enfatiza que o pré-natal para essa faixa etária é primordial para garantir a saúde da mãe e do bebê. “O risco de hipertensão na adolescência é cinco vezes maior, fora outros fatores de risco”, acrescenta.
ACOMPANHAMENTO À ADOLESCENTE GESTANTE
A maternidade entre adolescentes repercute não somente na saúde pública mas também no setor social. O acompanhamento da grávida e dos familiares é essencial para garantir o acesso a informações importantes para a situação.
Na maternidade Bárbara Heliodora, esse trabalho é feito por uma equipe multiprofissional, que conta com psicólogo e assistente social, por exemplo. “ A maioria das adolescentes está em família de baixa renda. Em muitos casos, a gente percebe que a família não tem autoridade sobre ela. Então a gente trabalha tanto a gestante quanto a família”, explica a assistente social Alcioneida Machado.
Um dos objetivos do acompanhamento é evitar que a adolescente tenha outros filhos na idade de risco.
CASA DE PASSAGEM “MÃE BÁRBARA”
A equipe de assistência social também ampara as jovens na casa de passagem Mãe Bárbara. No local ficam mulheres em situação de gravidez de risco ou que estão com filhos recém-nascidos na UTI. Na casa, está Janaira. Com 14 anos ela vai ser mãe pela primeira vez.
Janaira está casada há mais de 1 ano e mora no município de Jordão. Com a gestação completa de 9 meses, o médico recomendou que ela ficasse na Capital até a hora do parto. “O médico disse que pode ser cesária e eu estou com medo, porque queria normal. Estou perdendo líquido. Por isso, pode ser cesária”, disse.
Para a menina que vai ser mãe, a experiência veio mais cedo que o esperado, mas não vai deixar de ser uma importante realização na vida. “Eu tenho uma boa vida, mesmo morando na colônia. Quero dar uma vida melhor ainda para ele”, comenta sobre o filho.
Segundo dados da Secretaria de saúde, no ano de 2012, houve 73 nascimentos entre meninas de 10 a 14 anos. Na faixa etária entre 15 e 19 anos foram 1963 partos. O total entre os dois grupos considerados adolescentes é 2036 nascimentos, o que significa mais de 20% dos partos realizados em todo Estado.


