No Esperança, índice de infestação é de 17%
O Ministério Público do Estado expediu recomendação para reforço nas ações de combate ao mosquito transmissor da dengue. A possibilidade de uma nova epidemia assusta as autoridades e também a população, que já tem visto vários casos da doença aparecerem perto de casa.
O prestador de serviços Mauro Pereira começou a sentir os sintomas parecidos com a dengue, na última quinta-feira. Ele reclama de dores nas articulações, nos olhos, febre, indisposição e apareceram manchas vermelhas pelo corpo.
O médico recomendou que ele retornasse ainda nessa semana para a realização de exames, mas apresentou uma suspeita preocupante. “Ele me informou que talvez eu estaria com zika vírus”, disse.
Mauro mora no bairro Esperança. Região de Rio Branco que aparece em 6º lugar no ranking dos mais infestados pelo mosquito aedes aegypti, transmissor da dengue, chikungunya e zika.
O índice de infestação predial, que equivale à relação entre o número de imóveis onde foram encontradas larvas do mosquito e o montante de residências pesquisadas, no Esperança, está em 17%. O percentual aceitável pelo Ministério da Saúde é menor que 1%.
A moradora do bairro Nazaré Oliveira sabe quais providências tem que tomar para afastar o mosquito. Segundo ela, a limpeza no quintal é constante, assim como a preocupação com o contágio da dengue e outras doenças.
“Eu já estava com medo porque meu menino apareceu empolado, levei no posto e disseram que podia ser dengue. Então, tá difícil a situação. É preocupante”, afirma.
A dona de casa também sabe que sozinha, não vai resolver o problema. “Se eu limpar e os vizinhos não, do que adianta”, lamenta.
Recentemente, o Ministério Público do Estado expediu recomendação conjunta para que toda população intensifique os cuidados de combate ao aedes aegypti. O documento foi assinado pelos promotores que atuam nas promotorias de defesa da saúde, meio ambiente e habitação e urbanismo.
A recomendação conjunta pede aos proprietários de imóveis que mantenham seus quintais limpos e que permitam a entrada de agentes de saúde nesses ambientes, para que executem os serviços necessários de controle ao mosquito Aedes Aegypti. Quem desrespeitar a recomendação estará sujeito a responder criminalmente.
Além das complicações da dengue, o Ministério da Saúde deixou a população ainda mais preocupada com a associação do zika vírus à microcefalia. No Acre, 22 casos suspeitos estão sendo investigados.


