47,8% das mortes de 2015 envolveram motociclistas
Às vésperas do Dia Mundial em Homenagem às Vítimas de Trânsito, o Acre não tem nada a comemorar. Sobretudo quando se trata de acidentes com vítimas fatais envolvendo motociclistas.
De janeiro a outubro de 2014, morreram no Acre 24 condutores de motocicletas. Foram 24 mortes de motociclistas em um universo de 61 mortes no trânsito. O que resulta em uma frequência relativa de 39,34%.
No mesmo período, o ano de 2015 se apresenta mais violento com o motociclista, apesar de haver menos mortes com esse público. O problema é que houve menos mortes no trânsito. O que fez com que os 22 óbitos de motociclistas eleva-se a frequência relativa para 47,8%.
Traduzindo: em 2015, quase metade das mortes no trânsito em todo o Acre tinha condutores de motos envolvidos. E há um aspecto que as estatísticas não conseguem abarcar: o grau de violência.
Na segunda-feira, um acidente com motociclista aconteceu na AC-40. A perna da vítima foi decepada no momento da colisão. O condutor morreu instantes após, não dando chances à equipe de socorro.
Hoje (11), um peão de rodeio conduzia a moto em que ganhou em uma competição e se chocou na traseira de uma caminhonete na Estrada de Porto Acre. Morreu no Pronto Socorro do Hospital de Urgência e Emergência.
Maior rigor
Um dos fatores que pode melhorar os números apresentados pelo Detran é aumentar o rigor na seleção dos candidatos que pleiteiam carteira com a categoria A (para conduzir motos).
Na Capital, de acordo com o Sindicato das Auto e Moto Escolas do Estado do Acre, em média, os Centros de Formação de Condutores têm entre 15 e 25 turmas anualmente. Em cada turma há variação entre 15 e 30 alunos.
Entre esses alunos, apenas uma pequena parte habilita-se exclusivamente na categoria A. Não há segurança estatística de qual é esse público.
“O intrigante é que o condutor muda de atitude assim que é habilitado”, defende-se o presidente da Comissão Provisória do Sindicato das Auto e Moto Escolas do Estado do Acre, José Luiz Souza da Silva. “A orientação é dada”.
Na prática, a teoria não foi bem assimilada. O que se vê nas ruas são pessoas com perícia mínima conduzindo uma motocicleta.
Há 15 anos, o então governador Jorge Viana orientava que “o Detran do Acre precisa ser conhecido como o lugar mais difícil de conseguir uma carteira de motorista e do motociclista”. Centenas de mortes e dois governadores depois, a educação no trânsito no Acre dispensa apresentação.
Categoria A em números
Permissão para dirigir categorias A e B: 5.694
CNH definitiva com adição da categoria A: 14
Mudança de categoria e adição da categoria A: 9
Registro de carteira com adição da categoria A: 3
Permissão para dirigir categoria A: 2.326
Adição da categoria A: 212
Adição da categoria A com alteração de dados: 46
Fonte: Sistema de Gestão de Habilitação- Detran/AC


