Após Operação Lares, tudo volta ao normal
Cinco meses após a Justiça determinar a retirada de moradores das casas do programa Minha Casa Minha Vida do Conjunto Rui Lino 2, os antigos moradores voltaram às casas. Em nove unidades habitacionais, a rotina segue como antes do escândalo com repercussões diretas na política de habitação do Acre.
A Polícia Civil apresentou provas de um esquema de fraude de venda de casas populares na Secretaria de Estado de Habitação, mas a denúncia não surtiu efeito algumas famílias retornaram as residências. No conjunto Rui Lino 2, por exemplo, nove unidades foram ocupadas pelos antigos proprietários, acusados pela Justiça de adquirirem o imóvel ilegalmente.
Uma das casas está localizada na esquina. A residência era uma das mais luxuosas e foi desocupada em junho por ordem judicial. Na época, o imóvel foi saqueado por bandidos que roubaram janelas, portas, fiação elétrica e até algumas telhas. A casa ficou desocupada por vários meses, servindo apenas para usuários de drogas.
Há 30 dias, a residência foi ocupada novamente e passou por uma nova reforma concluída há pouco tempo. O espaço recebeu novas grades, pintura, telhado, portas, janelas até cerca elétrica. Nossa equipe de reportagem tentou falar com os moradores, mas ninguém se encontrava no local.
A residência que deveria ser doada para famílias carentes que habitam locais de risco chama a atenção de quem mora no conjunto, pelo alto investimento aplicado pelo morador em duas reformas realizadas em menos de um ano.
Alguns moradores que retornaram às casas, não quiseram gravar entrevista, mas disseram que houve uma reunião no ministério público estadual, onde foram autorizados a voltarem para as casas.
Em contato com o MPE, a assessoria negou qualquer acordo permitindo o retorno. Já o Tribunal de Justiça informou que nenhuma decisão foi emitida a favor dos moradores, e que o processo continua em andamento.


