Serviços públicos sem qualidade são criticados por moradores
Por volta das 8 da manhã desta sexta-feira (14), dezenas de pessoas bloquearam a BR-364. Famílias que representam o bairro Belo Jardim II, localizado às margens da rodovia usaram pneus para fechar a passagem.
Logo que a Polícia Rodoviária Federal chegou foi liberado o tráfego na pista sentido Porto Velho. Nesse momento, o engarrafamento sentido Rio Branco já passava dos 4 quilômetros.
O clima ficou tenso quando os manifestantes decidiram não atender ao pedido dos policiais rodoviários, para desbloquear meia pista. “Se eles vão incorrer no crime de desobediência vão poder responde posteriormente. Nosso papel é determinar que abram a BR”, disse o inspetor Américo Reis.
Os manifestantes também ficaram irredutíveis em desbloquear a BR a pedido de representantes da articulação comunitária da prefeitura.
O protesto segundo uma das moradoras foi a última saída encontrada para uma série de problemas que a população da região enfrenta. Cerca de 500 famílias habitam no bairro Belo Jardim II e as reclamações são principalmente pela falta de infraestrutura.
As dificuldades se acentuaram, de acordo com os manifestantes depois que obras de pavimentação iniciaram no bairro e não foram concluídas. “A Inovare [Construtura] tirou o concreto que estava na rua e acabou com as ruas. Virou tudo açude. Eles cavaram um metro. As casas ficaram no alto e as ruas viraram açude”, disse o morador Rosenildo José de Souza.
As obras que teriam parado há um mês comprometeram a rede de água potável do bairro. Segundo este morador, canos foram estourados e muitas famílias estão sem o fornecimento de água. Em casas onde a água chega com abundância a pressão diminuiu e para encher um reservatório pequeno, é preciso deixar a torneira ligada por horas.
O dilema da ausência de serviços públicos no bairro Belo Jardim II perpassa a cobrança por fornecimento de água e pavimentação de ruas. Há mais de cinco anos a população alega que cobra a regularização do serviço de energia elétrica e não é atendida.
No último sábado, a fiação clandestina foi cortada e o bairro todo ficou sem luz. Pouco depois os moradores religaram os fios, arriscando a própria vida, já que o problema não é resolvido administrativamente.
A manifestação durou cerca de duas horas para terminar. A única exigência era que representantes dos órgãos competentes às reclamações apresentadas ouvissem pessoalmente os manifestantes.
PREFEITURA: De acordo com a prefeitura de Rio Branco, parte do bairro está em litígio e uma série de questões precisam ser resolvidas antes da regularização pública. Mas, a energia elétrica será legalizada em até um mês.
ELETROBRAS: segundo a Eletrobras Distribuição Acre, foi enviado um representante para tratar dos problemas com a comunidade e tão logo esse representante retornasse poderia informar quais providências serão executadas.
DEPASA: o Departamento de Pavimentação e Saneamento (Depasa) explicou que as obras na região começaram no início do verão e os serviços trazem transtornos. Por isso, o departamento pede a compreensão dos moradores. A assessoria informou ainda que, nos locais onde as obras estão concentradas, equipes acolhem sugestões e reclamações. Também foi informado que pelo telefone 3028-8080 a população pode se manifestar.


