Média é de 14 demolições por dia
A secretaria de Estado de Habitação (Sehab) coordena a demolição de casas onde as famílias deixaram a área de risco para morar em unidades habitacionais populares. Por dia, cerca de 15 moradias são derrubadas e as áreas interditadas para evitar novas ocupações.
Até agora, a Sehab já demoliu cerca de mil casas em Rio Branco. A média é de 14 por dia, e ao final, cerca de 3,3 mil moradias (além daquelas que foram derrubadas pelas águas) serão demolidas.
O número faz parte do total de unidades habitacionais construídas pelo Governo Federal para atender às populações de área de risco. No bairro Triângulo Novo, os imóveis vazios ou ocupados apenas pelas madeiras das casas demolidas, marcam um momento diferente na comunidade.
Após a demolição da casa, o imóvel é isolado e passa a pertencer ao Estado. Em seguida, a Polícia Militar faz o monitoramento do local para evitar que pessoas ocupem novamente a área de risco.
Segundo o secretário de Habitação, Jamyl Asfury, todas as regiões desocupadas vão se tornar Área de Proteção Permanente (APP). De acordo com ele, um recadastramento está sendo feito para identificar o número de famílias que estão na faixa da cota de 17 metros do nível do rio.
Esse público também deve ser retirado das áreas de risco. Para tanto, o governo pretende conseguir mais 3,3 mil casas a custo zero para as famílias afetadas pela alagação, através do programa federal de habitação Minha Casa Minha Vida.
“Nós devemos aumentar agora para 17 metros porque o rio alcançou 18 metros, então é um novo estudo e o Governo do Estado tem buscado apoio com o Governo Federal para que mais casas sejam cedidas e a forma que temos para não aumentar essa demanda é demolindo as casas de quem foi para a Cidade do Povo, impedindo novas ocupações”, explicou Asfury.
Ao acompanhar os vizinhos, amigos e parentes saindo da área de risco, a expectativa das famílias que ficam aumenta.
A diarista Maria Raimunda Abreu mora no Triângulo Novo há cerca de 20 anos. Desta vez, a enchente histórica do Rio Acre destruiu mais coisas e também abalou a estrutura da casa.
“A gente sobe as coisas achando que não vai subir a água e nisso acabei perdendo guarda- roupa, eletrodomésticos, a cama do meu filho”, disse. Quando a família retornou após as águas terem recuado, a cobertura da área de serviço havia caído. O assoalho da moradia também rebaixou.
Diante do caos e do prejuízo da enchente, Maria está apreensiva pela saída da área de risco. “Eu queria muito que viessem marcar minha casa pra eu sair daqui. É tão difícil, a gente consegue as coisas com sacrifício e a água acaba com tudo”, lamenta.


