Lágrimas e lembranças que expõem a fragilidade da vida
Para receber mais de 50 mil visitantes nos cinco cemitérios da cidade a prefeitura teve que estruturar os cemitérios com água mineral, banheiros químicos, atendimento médico, segurança e uma equipe para auxiliar as pessoas a encontrar os túmulos de amigos e parentes.
No Dia de Finados, muita gente aproveitou para fazer a limpeza do túmulo. A maioria foi acender velas e levar flores, passar alguns minutos ao lado do local onde estão os restos mortais de quem não sai da memória.
O aposentado Francisco Oliveira da Silva, 82, acordou cedo nessa quarta-feira. Ele queria chegar ao cemitério São João Batista antes de ficar lotado. O primeiro trabalho foi limpar o túmulo da filha que morreu há dois anos, depois passou perfume onde fica a foto dela.
O perfume era para lembrar um detalhe da vaidosa filha que morreu vitima de um câncer. “Ela gostava de ficar cheirosa. Perdeu a vida prematuramente. Ela era tudo para mim. Trouxe aqui o perfume que ela gostava”, revelou entristecido.
No cemitério São João Batista muitos visitantes antes de chegarem ao túmulo participaram da missa organizada pela igreja católica. O bispo dom Joaquim Pertiñez lembrou aos fieis que o Dia de Finados deve servir também para uma reflexão sobre nossas atitudes, principalmente em período onde a violência tira a vida de muitas pessoas.
Hoje foi o dia mais triste do ano para a dona de casa Clícia Lopes. Ela tem dois filhos enterrados no cemitério Morada da Paz. “Eu não gosto do vir a cemitério. Prefiro lembrar dos momentos bons dos meus filhos, mas no Dia de Finados abro uma exceção”, falou.
No cemitério Jardim da Saudade, houve uma longa fila na administração. As pessoas procuravam os túmulos dos amigos e parentes. Deusinila Góes não sabia onde estava enterrado o amigo e precisou de ajuda para conseguir chegar ao túmulo.
Depois de meia hora um dos funcionários encontrou a sepultura. “Eu ainda não tinha vindo aqui para ver o túmulo do meu amigo que cuidei até o dia da morte dele. Vejo que o local precisa de limpeza”, reclamou.
Durante todo o dia, cerca de 50 mil pessoas visitaram os cinco cemitérios da Capital. Os três maiores: São João Batista, Morada da Paz e Jardim da Saudade concentram quase 98% das visitas. Outros dois menores, como o Cruz Milagrosa, na Estrada Transacreana, apenas um pequeno grupo tem parentes enterrados. É nessa região que será construído o novo cemitério de Rio Branco.


