“Ou faz como deve ser feito ou deixa de fantasia”
Mães de alunos da Escola Dom Bosco, que cuida de crianças e jovens especiais, denunciam uma série de problemas na instituição. As reclamações vão desde estrutura inadequada até falta de profissionais, fraldas e alimentação.
Aproximadamente 300 crianças e jovens são atendidos pela Escola Dom Bosco em Rio Branco. A unidade gerida pelo Estado oferece atendimento às pessoas com necessidades especiais.
Marcela Silva é mãe de um aluno atendido pela instituição. Aonde vai leva consigo dados de uma lei federal que assegura ao filho, o direito às fraldas. O produto é adquirido nos postos de saúde, mas a quantidade foi limitada.
Rute Galdino explica que só entregam dois pacotes por mês, quando cada criança usa nesse período até 17. “O preço da fralda pesa no orçamento. A gente não pode trabalhar porque tem que cuidar dos nossos filhos e como vai arcar com mais esse gasto”, questiona.
Outra dificuldade enfrentada diz respeito ao complemento nutricional. Mesmo com quantidade especificada por nutricionista, quando buscam o alimento, não levam a quantidade prescrita.
“Indicaram para meu filho 90 nutridrink’s. Eles deram 10 e alegaram que o governo não repassa a quantidade que eles fazem o pedido”, disse Marcela Silva.
Os problemas com alimentação também passam pela cozinha da Escola. Segundo as mães, servem cardápios inadequados para quem tem dificuldade de mastigação. Elas exemplificam citando: farofa de ovo. “Era preciso ter um bom senso dos profissionais da cozinha, para fazer mingau, e não farofa para crianças que não conseguem mastigar direito”, explica Marcela.
De acordo com a coordenadora da Escola, Rosilda Moura, a alimentação segue um cardápio, mas às vezes faltam determinados ingredientes para uma refeição mais pastosa. “Nem todo dia tem leite, nem todo dia tem massa”, explicou.
As cadeiras de rodas da escola também estão em péssimas condições. Algumas não são do tamanho adequado aos alunos. O material enferrujado já deveria ter sido trocado, mas, por enquanto, nada.
A estrutura do prédio também é motivo de reclamações. O piso está comprometido. Segundo a coordenadora da escola, a cerâmica não suportou o calor. Os trocadores são de pedra. Conforto algum aos alunos especiais, que precisam trocar fraldas.
De acordo com a coordenação, a Secretaria de Estado de Educação já recebeu o pedido de reforma e o processo está em andamento.
Fora os problemas estruturais, a Escola Dom Bosco passa por sérias dificuldades no coração da instituição. Aqui falta psicólogo, terapeuta ocupacional e, o que é pior, nas últimas semanas, vários fisioterapeutas foram demitidos.
Segundo a direção, 12 contratos foram cancelados e isso afetou drasticamente o atendimento às crianças especiais.
O gestor do setor de fisioterapia, Raimundo Castro, admite que as reclamações das mães são verídicas e que o Estado precisa tomar providências urgentes.
Na presença das mães, o gestor se emocionou ao falar do caos que se instalou no atendimento do Dom Bosco. Ele afirma que uma reunião está marcada com o Secretário de Saúde e que irá cobrar principalmente a contratação de profissionais.
“A pauta é essa. Ou se faz como deve ser feito e trata essas crianças como gente, essas mães com respeito, ou então fecha e deixa de fazer fantasia para o povo”, disse Raimundo.
Sobre a falta de suplementos alimentares a Sesacre respondeu:
“Segundo a Secretaria de saúde, de acordo com o departamento de assistência farmacêutica não há falta de suplemento nutricional nos postos. O que houve foi desencontro de informação com as mães que não interpretaram corretamente os dados técnicos informados nos pedidos”.


