Trabalho infantil é flagrado nos lixões irregulares
Uma fumaça tóxica vem tomando conta das manhãs e do início da noite em Acrelândia. Desde a semana passada, um incêndio no lixão da cidade vem tirando o sono e trazendo transtornos aos moradores da cidade.
O lixão é praticamente dentro da cidade. Dependendo da direção do vento, o odor vai direto para as casas. Quando o lixo é queimado, a situação fica mais grave. No período de escassez de chuvas, os incêndios ficam comuns nas montanhas de resíduos. O local fica tomado pela fumaça que invade toda a cidade.
O lixo não é jogado de forma seletiva. Tudo fica no mesmo local. O odor é tão forte que chega a arder as narinas. Nossa equipe encontrou, no meio dos resíduos, várias caixas de medicamentos o que ajuda a deixar ainda mais tóxica a fumaça.
As suspeitas do crime ambiental recaem sobre a Prefeitura de Acrelândia que, para evitar o acúmulo de lixo, prefere colocar fogo e baixar o volume.
O secretário de Meio Ambiente de Acrelândia, Sebastião Ferreira, disse que esses incêndios são criminosos e não poderiam ser feito pela prefeitura. “Geralmente no período da noite aparece algum fogo entre as montanhas de lixo. Nós não queremos prejudicar os moradores. Nossa proposta é aterrar no futuro. Por isso, não queimamos”, completou.
Outra hipótese levantada são as caieiras que ficam na área. Caieiras são buracos no solo que servem para fazer carvão. Marlene Soares, de 60 anos, há 20 vive no lixão juntando madeira e fazendo carvão.
Ela disse que o fogo na terra não se espalha e, por isso, as caieiras não são responsáveis pelo fogo. “Quando pega fogo eu tenho prejuízo, porque queima a madeira e alumínio que juntamos”, explicou.
Como Acrelândia não tem serviço do Corpo de Bombeiros e a prefeitura não tem interesse em apagar o fogo, ele vai ficar vários dias e será alimentado por outra carga de lixo que chega diariamente.
Em Senador Guiomard, o problema é parecido. O lixo é jogado e logo em seguida aparece um fogo. As chamas vão destruindo plástico, papel e outros produtos e a fumaça tóxica é lançada ao ar.
O prejuízo não é maior para os moradores porque o lixão fica a 10 quilômetros da área urbana, mas, em compensação, o lixo é jogado às margens da rodovia AC-40. No local, encontramos três mulheres que catam lixo para sobreviver. Entre elas, uma criança ajudava a juntar latas.
Em Plácido de Castro, a prefeitura resolveu o problema do fogo fazendo crateras no lixão e depois aterrando os resíduos. Não existe controle para o chorume ou o gás. A prefeitura vai escondendo o lixo embaixo da terra.
Sem aterros controlados, como manda a lei, e sem fiscalização, cada prefeitura vai se livrando do lixo como quer.
























