Dependentes químicos usam local para fumar crack
Agnaldo de Souza, 73, é um morador de rua que frequenta as dependências do cartório de registro abandonado há cinco anos na rua Boulevard Augusto Monteiro. Ele é dependente químico: usa crack com frequência.
No domingo à tarde, discutiu com um dos amigos que frequenta o ambiente. Revoltado, o amigo prometeu tocar fogo no lugar. E assim o fez. Por volta das três da tarde, o Corpo de Bombeiros foi acionado.
O fogo já estava ameaçando residências vizinhas. A situação revoltou os moradores que já tinham conversado com representantes do Governo que prometeram construir um albergue para abrigar moradores de rua. “Mas, só prometem”, reclamam.
Sem ter onde morar e sem ter onde se abrigar, o jeito foi permanecer no local. “Eu já fui dono de casa de carne e uma pequena madeireira”, lembra Souza. “Hoje, estou assim”, disse, pouco antes de acender o cachimbo com a pedra de crack, sem nenhum constrangimento. Calmo, como se estivesse a fumar um cigarro de palha.
A perna quebrada em diversos locais não desestimula o vício. Ao contrário: mostra a força da dependência.


