Demissões na construção civil pode ser causa
Além das estratégias para chamar a atenção do consumidor, o ramo varejista oferece como atrativo as compras, o crédito. A venda parcelada parece ser a melhor saída diante do cenário de crise, mas é aí que muitas famílias sufocam o orçamento. A consequência disso é a inadimplência.
Em Rio Branco, nos primeiros seis meses de 2015, 18.335 pessoas tiveram o nome incluído no Sistema de Proteção ao Crédito (SPC). O número é 4% maior que o registrado no mesmo período de 2014, que foi de 17631 inadimplentes.
Contudo, o dado real de pessoas que devem no comércio é muito maior, já que muitas empresas aguardam com paciência até três meses de atraso para incluir o nome do devedor no cadastro do SPC.
Para a Associação Comercial e Industrial do Estado, o resultado de agosto será ainda pior. Isso faz com que o empresário segure o crédito. “Tem aumentado a inadimplência em relação ao mês anterior entre 2% e 4% então as empresas estão deixando de vender quando não tem certeza que vão receber. O crédito está ficando mais rigoroso”, afirmou o presidente da Acisa, Jurilande Aragão.
Em uma rede de lojas de eletrodomésticos, com 22 estabelecimentos no Acre, a inadimplência alcançou patamar assustador: 11% no fechamento do primeiro semestre de 2015.
“As financeiras acabam aumentando os juros para compensar a inadimplência e as pessoas acabam se afastando das compras e, com isso, é negativo para o varejo”, comentou o gerente de mercado, Francisco Araújo.
Enquanto na Capital a inadimplência aumentou, no interior, diminuiu. Um exemplo é Cruzeiro do Sul. No primeiro semestre de 2014, 414 pessoas estavam no cadastro de devedores do SPC, este ano, no mesmo período, foram incluídos 298 nomes. A queda na inadimplência na segunda maior cidade do Estado foi de 28%.
Avaliando os clientes das lojas do Estado, a rede onde Francisco gerencia conclui que a inadimplência maior na Capital pode ser explicada pela alagação e também demissões que ocorreram na construção civil.
“Muitos compraram porque tiveram seus móveis perdidos nas águas e acabaram não conseguindo pagar e a gente sabe que na construção civil houve desemprego, então essa junção pode ter contribuído”, opinou.


