Vários protestos ocorrem em abrigos públicos
Alojados do abrigo do Sesc/Bosque fecharam a Avenida Getúlio Vargas na tarde desta quinta-feira (12) em protesto às condições do abrigo. Eles reivindicavam melhorias na alimentação e ao tratamento dispensado pelas pessoas que trabalham no local.
Além das reclamações, as famílias questionam para onde vão após sair do abrigo. Exemplo da dona de casa Adriana da Costa, que morava no bairro Bahia com o esposo, 2 filhos e avó do marido, uma senhora de 76 anos. “Precisamos de uma casa. No abrigo, estamos passando por maus tratos. É muita humilhação”, disse.
Raimundo de Melo está no abrigo com o filho de apenas 4 anos. Ele conta que até mesmo as doações destinadas aos desabrigados estão sendo regradas e muitas vezes não são distribuídas da forma correta.
“Fui pegar um pacote de leite pro meu filho e disseram que já tinham dado pra mim, que eu tinha que esperar. Esperar como? Como que uma criança passa uma semana com apenas um pacote de leite?”, questionou.
A jovem Maiane Lima está no abrigo com o marido e a filha de 2 anos. Além disso, ela está grávida. Ela contou que ao ir pegar uma fralda descartável pra filha foi humilhada pela pessoa que fazia a entrega.
“Ela disse que não iria me dar, por que e tinha condições de comprar fralda e leite pra minha filha”. Ela disse ainda que apesar das condições no abrigo ela teme a saída do local, pois não tem para onde ir.
Foi falado pelos manifestantes até das roupas que seriam de doação, embora muitas das roupas sejam novas com etiqueta, apenas as mais velhas estão sendo doadas para as famílias.
“Não somos bichos pra sermos tratados assim. Se é pra dar coisa que já não presta pra gente, é melhor não dar, porque minha casa tá lá cheia de coisa velha,” disse aos brados o pedreiro Moisés Batista.
Dentro do abrigo, enquanto as famílias estavam bloqueando a rua aos gritos de “queremos casa”, o representante da Secretaria de Articulação Institucional do Estado (SAI), Paulo Sales, conversava com a comissão representante dos desabrigados.
Da conversa ficou acertado que uma equipe da Defesa Civil Estadual se reunirá às 10h desta sexta com as famílias para explicar como será feita a remoção delas do abrigo. Sobre as demais denúncias e reclamações sobre as condições do local, a coordenadora do abrigo Veruska Bezerra, explicou que está tudo sendo resolvido, e quanto às marmitas, foi solicitado um novo fornecedor que entregaria os alimentos já na noite de hoje.
Questão de fundo
A questão de fundo por traz desses protestos é a pressão que a comunidade atingida faz para garantir casas oferecidas pelo Governo. É disso que se trata. E a situação ficou ainda mais delicada após a visita da presidente Dilma, quando anunciou a entrega de mais 1,2 mil casas ainda neste ano de 2015.






