Tio de Márcio Bestene fala do sentimento de dor
Entre as vítimas do avião que caiu próximo ao aeroporto de Medellín, na Colômbia, estava o médico acreano Márcio Bestene. Nossa equipe conversou com o tio da vítima, José Bestene. Ele explica que não era para o sobrinho estar no voo. Uma troca de escalas com outro médico, mudou os rumos da história para ambos profissionais.
Uma dor imensa. É a definição de José Bestene, para a tragédia com o avião da Chapecoense, onde 71 pessoas morreram, entre elas, o sobrinho dele, o médico acreano, Márcio Bestene.
Coube ao tio da vítima, a dura missão de comunicar a mãe de Marcio, a professora Nabiha Bestene, o ocorrido na madrugada desta terça-feira (29). Nabiha estava em Goiânia, a tratamento médico. Era 5 da manhã, horário de Brasília, quando recebeu o telefonema.
“Nós protelamos uma ou duas horas, mas diante da repercussão nas redes sociais, nos grupos eu me antecipei e falei pra minha irmã que havia tido um acidente muito grave e que não tínhamos notícias de sobreviventes. Ela ficou muito abalada.
Recorremos a um amigo que foi até o hotel onde ela estava e ajudou com medicação. Ainda bem que temos amigos nessas horas pra dar esse conforto”, disse.
José Bestene vai se encontrar com a mãe de Márcio para definir o trâmite com o corpo. “Eu viajo para Brasília com outra irmã minha pra gente conversar e seguirmos pra Chapecó. A informação que temos é que os corpos estão indo pra São Paulo pra reconhecimento e autópsia e vamos pra encontrar nossa irmã que está muito abalada”, afirma.
Segundo Bestene, não era para o sobrinho estar no voo. Uma troca de escalas de trabalho mudou o destino de duas pessoas. “Ele perdeu o voo pra São Paulo no jogo do Chapecó e Palmeiras, que era ele que ia e foi outro colega. Então pra cobrir pediu pro colega permanecer e foi no lugar do outro colega dele. Infelizmente a vida é isso e ninguém pode questionar de maneira nenhuma”, relata.
Márcio Koury Bestene além da medicina também era formado em engenharia. Se especializou em medicina esportiva e há mais de 5 anos atuava no Chapecoense. Na última vinda ao Acre ele compartilhou com o tio um sonho. Queria ser médico da seleção brasileira. “Ele disse: tio você ainda vai me ver como um médico da seleção brasileira. Eu disse: tio segue em frente. Eu sei que você é uma pessoa determinada e vai conseguir esse teu sonho”, conta.
O velório do médico da equipe Chapecoense deve ocorrer em Santa Catarina, em respeito a um pedido da mulher dele. Márcio, também deixa duas filhas, uma de 5 e outra de 11 anos.


