Quando a pobreza gera mais violência
No último fim de semana, uma briga entre duas mulheres chamou atenção dos moradores de quem passava pela Rua João de Paiva, no município de Tarauacá. A cena motivava risos entre os curiosos mais apressados. Mas, um observador mais atento perceberia gravidade nos diversos crimes que ocorriam ali.
Chafurdando no esgoto da Rua João de Paiva estavam uma mulher que foi apenas identificada como “D. Maria” e a desafeta dela, uma jovem que supostamente estaria envolvida em um relacionamento amoroso com o marido de “D. Maria”.
Era preciso um pouco de atenção para perceber o que se passava ali. Por vários minutos, só se via o corpo de D. Maria. Mas, quando a câmera se aproxima é que se percebe que ela empurrava alguém para dentro da lama, como querendo afogar a vítima em meio às fezes.
Além de tentar afogar a vítimas, D. Maria batia com socos e tapas no rosto e cabeça da jovem. “Tu traiu uma mulher, mas tu não vai trair mais”, dizia, em meio à sessão de tortura. “Meu marido me batia quando tu ficava (sic) com ele. Agora, tu vai apanhar (sic)”. Mais socos, mais sufocamento.
“Alguém tira essa mulher de cima de mim”, clamava a jovem. Pouca gente interveio. Até que, após mais de três longos minutos, um homem pede que D. Maria pare com a agressão e é atendido.
“D. Maria” sai do esgoto. Metade do corpo sujo. Pega a bicicleta e sai. Nesse instante é que se tem ideia de quem era a vítima. Eis que a jovem é vista. Sai do esgoto. O corpo completamente sujo de fezes e urinas. Uma parte de todos dali.
Humilhada, tentava limpar algum resto de orgulho perdido na briga. “Tu não disse que ia me matar?”, desafiava, completamente enegrecida pelo esgoto que lhe cravava a carne envergonhada. “Tu não mata nada”.
Relato de violência doméstica, violência contra mulher, agressão física, calúnia, difamação: a Rua João de Paiva é mais uma como tantas outras do Acre. As casas dali não têm rede de coleta de esgoto e água tratada é um privilégio para poucos. Nesse último fim de semana, a Rua João de Paiva refletiu o Acre em vários aspectos. A suposta infidelidade era o que menos importa no episódio.
O delegado Obetânio dos Santos já intimou as duas a dar declarações na terça-feira. Uma investigação foi iniciada para saber as reais causas. “Há indícios de que já havia antecedentes de problemas entre as duas”, afirmou.


