Casas do Rui Lino denunciavam renda acima da média
Duas famílias podem responder pelo crime de desobediência porque não seguiram ordem judicial que mandava desocupar casas do conjunto Rui Lino III, que foram entregues de forma ilegal.
Outras quatro famílias serão enquadradas por furto, pois ao saírem das unidades arrancaram utensílios como pias e tanques, portas, janelas até telhados. De acordo com a decisão judicial, ninguém poderia mexer nas casas, mesmo a parte que são consideradas benfeitorias.
O prazo para as famílias desocuparem as casas venceu na manhã de domingo. Nessa segunda-feira o delegado responsável pelo inquérito, Roberth Alencar foi verificar quem tinha cumprido a ordem judicial. Das 37 famílias que deveriam sair do imóvel, duas ainda ocupavam as casas e disseram que não tinham para onde ir.
O delegado encontrou o restante das casas sem ninguém, algumas apresentavam sinais de arrombamento. Segundo os vizinhos, os bandidos estão aproveitando para saquear o que ficou. Em outros casos o delegado verificou que foi o próprio morador que arrancou portas e janelas.
Se ficar provado que foi o morador que levou os utensílios ele vai responder pelo crime de furto além de indiciado por corrupção passiva.
Na semna passada 37 famílias foram levadas para depor na sede da policia civil e intimadas a sair das casas em 24 horas. A policia descobriu que parte não tinha o perfil para pegar o imóvel que é do programa minha casa minha vida, outros compraram as casas. As unidades do Rui Lino três deveriam ser entregues á famílias carentes da baixada do habitasa e cadeia velha.
Nas casas abandonadas, havia obras de ampliação, muros altos, cercas elétricas e material de construção de primeira qualidade, dinheiro que uma família pobre não teria, explicou o delegado Roberth Alencar, que informou que muitas casas foram negociadas entre R$ 20 e R$ 30 mil por uma quadrilha que envolvia dois diretores da secretaria de Estado de Habitação.
“Além de venderem eles beneficiavam amigos e até namoradas. Descobrimos que existem pessoas que se encaixam nas regras para receber a casa, mas, elas estavam numa classificação mais baixa, pularam na frente de alguns nomes”, relatou.
As casas devem ficar disponíveis para a caixa econômica federal repassar para famílias que realmente precisam ou se encaixam nas regras da moradia, mas isso só deve acontecer quando o processo for julgado. O que pode acontecer de agora em diante é as unidades serem saqueadas como muitas unidades do conjunto onde até a caixa d’água foi levada.


