Debate foi promovido por cientistas da Embrapa
A Embrapa realiza uma mostra de trabalhos e pesquisas para discutir as alternativas ao combate à síndrome da morte do capim Brachiarão e as novas tecnologias para recuperação de pastagens. Durante a programação, pesquisadores e pecuaristas do Acre e do Mato Grosso dividem experiências.
O Brasil é o segundo maior produtor e o maior exportador mundial de carne bovina. A pastagem é a principal forma de alimentação do rebanho. Na Amazônia, o principal problema do setor é a degradação das pastagens provocada pela síndrome da morte do Capim-Brachiarão, doença também conhecida como “morte súbita”.
No Acre, por exemplo, 70% das pastagens são formadas por capim Brachiaria e segundo estudos da Embrapa, um terço das pastagens cultivadas, ou seja, 500 mil hectares estão degradados ou em processo de degradação.
A síndrome da morte do capim Brachiarão acontece durante o período chuvoso e é mais intensa em áreas com solo encharcado. A doença enfraquece o pasto, provoca perda na produtividade do rebanho e resulta em prejuízo para os produtores.
Francisco Militão é pecuarista da cidade de Alta Floresta no Mato Grosso. Ele explica que com a principal fonte de alimentação comprometida, a produção bovina pode até ficar inviável.
“Aonde você tinha talvez duas, duas cabeças e meia por hectare cai para uma, às vezes menos de um. Onde morre, nasce sementeira de outras gramíneas que não tem nenhum objetivo de alimentar o gado. Então é preciso reformar o pasto e não é barato”, disse.
Francisco participa de um workshop promovido pela Embrapa Acre. Ele acredita que vai absorver informações importantes para recuperar a pastagem da sua propriedade. Pesquisadores e produtores locais e do Mato Grosso participam do encontro, trocando conhecimento sobre a síndrome da morte do capim Brachiarão.
Segundo o pesquisador Carlos Andrade, o Acre tem mais experiência no combate à doença e na recuperação de pastagens por que o problema chegou antes no solo acriano. A síndrome foi detectada há 20 anos e de lá pra cá, muitas alternativas foram estudadas. “Essa doença não tem uma solução simples. A solução é trocar o capim, é preciso reformar as pastagens por outros capins e leguminosas”, explica.
A programação da Embrapa segue até sexta-feira (15), inclusive com visitas às propriedades rurais onde as alternativas como uso de amendoim forrageiro em pastagens consorciadas e a técnica do plantio direto na formação de pastos, têm ajudado produtores na solução do problema.


