Necessidades básicas seriam atendidas
O salário mínimo no Brasil deveria ser mais de R$ 3 mil, segundo cálculos do Dieese. A instituição chegou a esse valor, levando em conta necessidades básicas do trabalhador, como alimentação, moradia, saúde, vestuário, entre outros. O montante também é calculado com base no valor da cesta básica.
Com a camisa suada, chega ao centro da capital, o aposentado Francisco Nobre da Silva. Ele mora no bairro João Eduardo, região da Sobral. Caminha o quanto for necessário, até o evento mais próximo, onde pode revender suas pipocas e bananas fritas. É assim que ele complementa a renda da família, mesmo estando aposentado há quatro anos.
Francisco era gari da Prefeitura de Rio Branco e terminou a carreira pública como vigia. Mesmo na época da ativa, fazia bicos como ambulante. Hoje o aposentado recebe um salário mínimo e meio, ou seja, pouco mais de R$ 1,3 mil por mês.
Metade desse valor ele afirma que vai para as contas de luz e água e o restante é gasto com alimentação.
“Eu não gosto de dever nada pra ninguém. Só compro a vista, não gosto de ser importunado com gente me cobrando em casa. Isso não acontece comigo”, disse.
Segundo o Departamento intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos, Dieese, o salário mínimo no mês de fevereiro deveria ter sido R$ 3725,00. “Se recebesse esse valor, iria descansar”, comentou Francisco.
A instituição chega a este cálculo, com base no valor da cesta básica mais cara do país, que em fevereiro foi a de São Paulo, com R$ 443,40. Segundo o técnico do Dieese no Acre, Weslei de Brito, o salário mínimo de pouco mais de R$ 3 mil cobriria necessidades básicas do trabalhador. “O trabalhador precisa ter o mínimo do transporte, moradia, vestuário, previdência, entre outras questões que são importantes para o custo de vida”, explica.
Para o Departamento, o cálculo feito todos os meses, existe para lembrar a nação de que a Constuição é desrespeitada. “São direitos fundamentais. Precisamos ter acesso ao mínimo”, completa o diretor.
Um salário quatro vezes maior que o atual de R$ 880,00 é utópico, segundo economistas. “O salário mínimo necessário considera que existe um único trabalhador ativo na família. Em geral tem mais de um. Essa é a grande discussão que fica difícil a conta fechar”, comenta o economista Marcelo Cunha.
E se o valor utópico fosse posto em prática o que aconteceria? Para o economista Marcelo Cunha, mexeria no número de postos de trabalho, na viabilidade de algumas atividades econômicas e no fator previdenciário.
“O salário mínimo é baixo, estamos falando de $200.Mas não é com canetada que aumentamos o salário e sim com desenvolvimento econômico”, opina.


