O Estado do Acre está enfrentando uma intensa onda de calor, aliada à baixa umidade e à poluição do ar, após a passagem do fenômeno El Niño, de junho de 2023 a abril de 2024, e a chegada antecipada de La Niña antes do segundo semestre deste ano. Esses fatores climáticos têm causado fadiga, desidratação e um aumento significativo nas doenças respiratórias entre a população.
Segundo o Tenente Coronel Cláudio Falcão, diretor administrativo de desastres da Defesa Civil Municipal de Rio Branco, essa situação já era prevista desde o ano passado e tende a se agravar nos próximos meses. “Nós já vimos alertando essa situação desde o ano passado, inclusive agora no período de enchente, que passaríamos por uma situação dessa já no segundo semestre. Na realidade, nem esperou o total do segundo semestre. A partir de maio, a chuva ficou escassa, choveu bem abaixo da média em maio e, em junho, não choveu absolutamente nada. A seca está se mostrando bastante forte”, afirmou.
Falcão destaca que, juntamente com a seca, o aumento das temperaturas e a baixa umidade relativa do ar estão criando condições propícias para incêndios florestais e urbanos. “Nos meses de agosto e setembro são os picos de queimada. A vegetação seca e a onda de calor fazem com que qualquer situação se transforme em um grande incêndio, piorando consequentemente a situação do clima.”
Além das preocupações com a saúde pública, outra questão crítica é o baixo nível do rio Acre, que já preocupa as autoridades ambientais. “Nós já estamos vivendo uma crise hídrica. O nível do rio Acre é um dos mais baixos de todas as épocas para esse momento. Em 2022, tivemos um recorde negativo de 1,25m, e agora estamos em torno de 1,80m, ainda em junho. Quando chegar setembro, a situação vai piorar, e isso é uma grande preocupação. A comunidade precisa estar ciente e preocupada juntamente conosco”, alertou Falcão.
Para enfrentar o calor intenso, as autoridades recomendam manter uma boa hidratação, evitar exposição ao sol entre 10h e 16h, e usar protetor solar. É importante também evitar desperdício de água e não realizar queimadas. “Os profissionais que trabalham expostos ao sol devem se proteger com filtro solar, usar blusa de manga longa e chapéu. Além disso, tomar muita água é essencial para manter a saúde durante esse período crítico.”
As ações efetivas para minimizar a crise hídrica também são uma prioridade. “O nível baixo do rio mostra o que temos de subsolo em água, indicando que poços e represas estão secando. Estamos tomando medidas para lidar com essa crise hídrica que já começou”, concluiu Falcão.
A população deve seguir as orientações de saúde, como evitar esforço físico excessivo ao ar livre durante o pico de calor, cuidar da hidratação e proteger a pele e a garganta para enfrentar melhor os desafios climáticos atuais.
Matéria em vídeo produzida pelo repórter Adailson Oliveira para TV Gazeta.


