20 cm separam Juruá do isolamento
Engenheiros do Departamento Nacional de Infraestrutura e Transporte Terrestre (Dnit) estiveram na manhã dessa terça-feira no trecho da BR-364 que ameaça desabar e deixar isolados os municípios das regiões do Tarauacá-Envira e Juruá.
O local fica a 4 quilômetros de Sena Madureira, sentido Manoel Urbano. O desmoronamento levou quase toda a pista onde ficava um bueiro. A terra começou a ceder no sábado e não parou mais. Os veículos estão passando ou arriscando, por uma pequena faixa de asfalto que sobrou.
O Dnit, responsável pela manutenção da rodovia, colocou apenas algumas placas próximas ao buraco. As placas de sinalização que deveriam estar no alto das ladeiras ficaram jogadas na lateral da pista. Se a cratera abrir mais 20 centímetros, será impossível passar qualquer veículo. Na parte que sobrou são várias as rachaduras e a terra não para de ceder.
O taxista lotação Elvis Lino disse que está com medo de perder a fonte de renda. Desde o ano passado, o buraco vinha apresentando sinais de que iria chegar ao outro lado da rodovia. “A questão é que Dnit e governo do estado nada fizeram”, reclamou.
Segundo o engenheiro João Bosco, um desvio no local não é fácil. Em uma das laterais da pista tem um enorme lago. Com o bueiro tapado, a água ficou represada e está infiltrando no restante do barranco que segura o espaço de asfalto.
“A saída é do lado mais seco e mais profundo. Por aqui o desvio vai ter 1.600 metros. Antes será preciso retirar parte da água represada”, explicou.
Para quem mora na região do Juruá não está sendo fácil chegar à Capital. O motorista do ônibus que vinha de Cruzeiro do Sul ficou com medo de passar pelo buraco e pediu que os passageiros descessem.
Mas, essa não foi a única vez. Eles contaram que durante a viagem, que dura 17 horas, tiveram que descer e subir nos veículos sete vezes. O problema é que alguns trechos simplesmente viraram atoleiros.
A estrada que deveria interligar o Acre está sendo dizimada pelos buracos. Desde o ano passado, a rodovia vem mostrando sinais de que não sustentaria mais um período de chuvas. Nos últimos 17 anos, foram gastos quase R$ 2 bilhões para ligar Rio Branco a Cruzeiro do sul. Todo esse dinheiro agora está virando lama. Esse valor daria para construir 1.700 escolas infantis.
Todo esse prejuízo foi culpa do solo do estado, uso da tecnologia errada ou qualidade dos insumos? Dnit e governo do estado vão ter que responder.


