Mãe se desespera ao ver filhas sendo presas
Retirada de famílias que ocupavam uma Área de Preservação Permanente (APP) na região do Calafate terminou em prisões e muita confusão. Os policiais militares tiveram trabalho para levar duas mulheres até a viatura. Quando tentaram sair, os invasores começaram a bater e empurrar a camionete.
Por pouco um acidente grave não aconteceu quando o motorista da viatura arrancou de uma vez com o veículo, enquanto três pessoas tentavam impedir a detenção de uma mulher e uma adolescente.
A viatura conseguiu sair, mas, ficou a ira dos invasores, principalmente a mãe das mulheres presas, uma delas com 17 anos. “Como podem fazer isso com minhas filhas que só querem um local para morar”, gritava, revoltada a senhora Alice Brás.
Os policiais tentaram acalmar o resto dos invasores que denunciavam o uso da força excessiva usada pela PM. A área da qual as famílias estão sendo retiradas fica no loteamento Luiz Israel Lira, na região baixa do bairro Calafate.
De acordo com informações de dois fiscais da prefeitura que acompanharam a derrubada dos barracos, a região é uma área de preservação permanente e é proibida qualquer edificação no local.
A madeira dos barracos e os poucos móveis dos invasores foram levados para o pátio da Empresa Municipal de Urbanização (Emurb). As famílias vão ter que buscar o material.
O pastor Evangélico Lucas Lima disse que as famílias que estão na área não têm onde morar. “Todas estão inscritas nos programas sociais do governo, esperando uma casa, mas como estavam cansados de promessas decidiram ocupar o local”, reclamou.
Lucas criticou ainda a forma como a Prefeitura de Rio Branco tratou as famílias, e, principalmente, porque o chefe da segurança da prefeitura, coronel Cleudo, era quem comandava a operação. “Como pode o prefeito mandar seus seguranças quando deveria vir conversar conosco, para, juntos, buscarmos uma solução para falta de moradia?” indagou.
A secretária adjunta de gestão urbana, Carmem Nardino, explicou que não tem saída: as famílias serão retiradas. “Essa invasão começou há uma semana. Conversamos com as famílias, mas elas estão relutantes em sair. O jeito foi pedir a intervenção da polícia”, explicou.


