Duzentas cartas estão à espera de “padrinhos”
A crise econômica está afetando até a solidariedade do acriano. A constatação é feita pela campanha dos Correios que presenteia crianças que fazem pedidos através de cartas. Cerca de 400 cartinhas ainda aguardam padrinhos que queiram presentear no Natal.
Com o slogan “Todo mundo acredita em Papai Noel”, os Correios lançaram no início do mês a campanha que tradicionalmente recebe cartas de crianças com pedidos de Natal. Pessoas apadrinham os sonhos dos pequenos e no final da campanha, o Papai Noel entrega os presentes.
Mas, este ano, a crise econômica afetou até mesmo a solidariedade do acriano. Das 1,6 mil cartas cadastradas, 1,2 mil foram adotadas. O saldo de 200 pedidos a espera de padrinhos preocupa os organizadores da campanha. Até por que, durante a semana, as cartinhas da comunidade não paravam de chegar.
“Eu peço que a sociedade venha aos Correios que ainda dá tempo pra fazer as crianças felizes agora no Natal”, pediu o coordenador da campanha, Antônio Carlos Mourão.
Para se ter ideia da pouca procura, no ano passado, nessa época, todas as cartinhas já tinham padrinho. Muitas pessoas na reta final esperaram chegar as cartas da comunidade para oferecer o presente. Em 2014, 1,4 mil pedidos de crianças foram atendidos pela campanha dos correios.
Para driblar a crise, os funcionários dos Correios estão indo até as empresas, correndo atrás de possíveis padrinhos.
Diante da dificuldade, o prazo para o padrinho devolver a cartinha com o presente aos Correios foi prorrogado para o dia 18 de dezembro. E a partir da próxima semana, os pedidos das crianças da comunidade, não serão mais recebidos.
Para a funcionária pública Aparecida Farias, a solidariedade não pode desfalecer diante das circunstâncias. “Sempre é bom realizar sonhos. A gente lembra da infância. Lembro da minha, que tive esses sonhos e infelizmente não tive a oportunidade de ter um padrinho que pudesse vir olhar e dizer: vou realizar o sonho dessa criatura”, comentou.
Aparecida foi à Central dos Correios e cuidadosamente leu várias cartas. Escolheu uma, escrita por um menino. As opções eram de brinquedos, mas, entre tantas histórias, algumas comovem, como por exemplo, a carta escrita em braile.
A criança pede um computador adaptado para deficientes visuais. Outras apresentam necessidades semelhantes, como cadeira de rodas, de banho e cadeira adaptada.


