Cenário é de medo na comunidade
Comunidade estudantil do bairro Cidade do Povo está afugentada com a violência das facções criminosas. O muro de uma escola foi pichado com mensagem demarcando território e uma creche foi alvo de tiros.
Aulas já estão sendo suspensas por conta do clima de medo que se instalou no novo bairro de Rio Branco.
Uma semana atípica para a comunidade escolar da Cidade do Povo. Na quarta-feira, com medo de possíveis ataques criminosos algumas escolas suspenderam as aulas. O recado foi deixado em frente aos portões.
Para os estudantes, ficar sem aulas é um prejuízo, que se justifica pelo medo. “A nossa preocupação é passar de dezembro estudando por que estamos perdendo provas”, disse um estudante que pediu para não ser identificado.
O medo é uma constante na Cidade do povo. A criminalidade tomou conta do local e bloqueia a comunicação.
Na noite de quinta-feira (21), a creche que fica instalada no antigo Centro Administrativo do Complexo habitacional foi alvo de tiros. O ataque criminoso aconteceu por volta das 21h30min.
Segundo relato do vigia do local, um carro ocupado por vários homens se aproximou lentamente e logo iniciou uma sequencia de disparos. Pela quantidade de tiros ele achou que estavam armados com metralhadora.
As marcas ficaram na parede. A vidraça da entrada da creche foi estilhaçada e uma janela também foi perfurada. O vigia se escondeu em uma sala nos fundos. A direção da creche preparava um encontro da família para o sábado, que já foi cancelado.
Até então, a creche não havia suspendido as aulas das crianças, mas o ataque foi compreendido como um recado assustador. “Os servidores disseram que não viriam trabalhar de jeito nenhum. Eles já queriam parar, mas eu dizia, não! Vamos manter a calma, só atendemos crianças de 2 aninhos, nós não somos alvo, era isso que a gente pensava”, disse a diretora da unidade, Lucilene Alves.
As aulas foram suspensas sem previsão para retorno. A creche atendida no inicio do ano 315 crianças, mas com o passar dos meses o numero reduziu para 290. Segundo os educadores, algumas famílias alegaram problemas sociais para sair da Cidade do Povo, mas a maioria justificou que estava retirando o filho da creche por que sofria ameaças de morte de criminosos instalados no local. Essas famílias teriam se mudado para a zona rural.
E os recados não param por ai. O muro da escola Professora Raimunda Silva Pará amanheceu pichado. O Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Bonde dos 13 deixaram mensagem marcando território.
Minutos apos nossa equipe registrar as imagens do muro o diretor da escola foi ate o local e com um pedaço de carvão alterou as frases, que ficaram incompreensíveis. Incompreensível também foi a atitude do gestor, que parece querer maquiar uma situação que e verdade ha muito tempo para a comunidade que o rodeia.


