Moradores querem continuidade das investigações na Sehab
Famílias inscritas na Secretaria de Habitação do Estado exigem continuidade das investigações que desvendaram o escândalo de vendas de casas populares. Pessoas inscritas de 2009 reclamam de demora e falta de informações do setor que gerencia os programas habitacionais.
Maria de Moura (52) e Cleiciane Oliveira (34), não se conhecem, mas mesmo de longe vivem realidade semelhante: a falta de habitação própria. Maria pelejou por anos para cuidar dos filhos, viveu muito tempo de aluguel e agora mora na casa de uma das filhas.
“Eu trabalho e pagava cento e cinquenta reais de aluguel, ajudo meus filhos e não estava dando mais. O aluguel come com a gente”, disse.
Cleiciane mora num pequeno apartamento construído nos fundos da casa dos pais, junto com o marido e os dois filhos. Daqui uns meses serão três, por que ela está grávida.
Sem independência financeira, já que trabalha como manicure e o marido está desempregado, a família mantém tudo no improviso. O quarto dos filhos também é cozinha e na sala, onde ela atende as clientes, fica o restante dos poucos móveis.
Maria e Cleiciane tem outra coisa em comum. Estão inscritas na Sehab, desde 2009 e até agora não receberam informações concretas sobre seus processos de contemplação da casa própria. “Meu interesse é ter minha casa. Moro aqui com meus pais há 5 anos, se não fosse eles tava morando alugado”, explica.
Na casa da filha de Maria moram 8 pessoas, sendo duas crianças. O local é pequeno, dividido entre cozinha e quartos. Para dormir, os colchões são colocados no chão, no pouco espaço que sobra.
“No ano de 2014 me chamaram para a Sehab e disseram que em dois meses eu estaria na minha casa. Até levaram até o Cabreúva, onde estaria a casa que eu ia morar, pegaram meus documentos todos, mas até agora nada”, explica.
Depois que a polícia prendeu a quadrilha que se instalou na Sehab e que é suspeita de vender casas populares, acendeu nos inscritos revolta e muita dúvida. Na mesma semana, Cleiciane foi até a Sehab, incentivada pelo marido. “A gente precisa e vê matérias que quem não precisa tinha casa, então incentivei ela a buscar seus direitos”, disse o marido Daniel Costa.
Maria também quer ver o desfecho das investigações, para garantir que entre as casas populares vendidas ilegalmente, não esteja a dela.
A expectativa é a mesma para Cleiciane. Após 7 anos de espera, a jovem não quer ver o sonho da casa própria ruir. Ela quer manter viva a esperança de um lar de verdade, para ela o marido e os filhos.


