Após a demolição do prédio do mercado Elias Mansour, os comerciantes foram transferidos para um galpão, cujo novo edifício, avaliado em 28 milhões de reais, está previsto para ser concluído no próximo ano. Enquanto isso, a prefeitura alugou três áreas para acomodar os permissionários. Nos dois primeiros locais, há um movimento considerável, mas no terceiro, localizado em um estacionamento mais afastado, as vendas são praticamente inexistentes.
Segundo Geraldo dos Santos, comerciante do local, a falta de clientes se deve à concorrência desleal: “É raro chegar alguém aqui. O motivo é que, na frente, o pessoal vende bananas e outros produtos mais baratos. Muitos comerciantes estão à nossa frente, e nós, que estamos mais distantes, ficamos em desvantagem”, explica.
Para tentar atrair os clientes de volta, os comerciantes solicitaram à prefeitura a abertura das laterais do galpão ou o aumento do tamanho das portas. Também pedem a instalação de um toldo que interligue os galpões, além da mudança da parada de ônibus intermunicipal para mais perto das bancas.
Alguns vendedores, que nem são permissionários do mercado Elias Mansour, encontraram outras formas de vender produtos fora dos galpões. Jandira Souza, uma das comerciantes, relatou que foram feitos abaixo-assinados pedindo melhorias no local e que tentaram dialogar com as secretarias responsáveis, sem sucesso. Alguns comerciantes desistiram das bancas devido à baixa lucratividade.
“A gente pede calma, mas não sabe nem com quem falar. Falamos com a administração, mas nada é resolvido. Ninguém nos dá uma solução”, lamenta Souza.
O presidente da mesa diretora da câmara municipal prometeu criar uma comissão para visitar os comerciantes do mercado Elias Mansour. Durante a sessão desta quarta-feira, afirmou que as reivindicações serão encaminhadas à prefeitura, com o objetivo de amenizar os prejuízos e o desconforto enfrentado pelos comerciantes.
“Existem várias demandas que estão sufocando tanto os comerciantes quanto os clientes. Vamos levar essa comissão ao mercado para identificar os problemas e buscar soluções”, afirmou o vereador Raimundo Nenén.
Souza ainda destaca a frustração dos comerciantes: “Tenho vários vídeos mostrando pessoas jogando frutas no lixo. É triste. Eu moro próximo e vejo isso quase todo fim de semana. As pessoas reclamam, questionam se não houve planejamento. Será que o arquiteto responsável pelo projeto não pensou em fazer uma parte por vez?”
Matéria produzida pelo repórter Adailson Oliveira para a TV Gazeta.


