Falta de capital circulando dificulta retomada
Emanuel, com 72 anos, nunca teve tantas dúvidas e incertezas. Ele é comerciante e mora no bairro da Base desde que nasceu. Mas, agora, está dividido entre ir embora do Estado ou ficar para assistir ao que pode acontecer.
De dentro do comércio, ele vê o Rio Acre que, nesta enchente, se aproximou ainda mais. O barranco está cedendo e ameaça engolir a propriedade do idoso. “Esse barranco nunca quebrou como quebrou desta vez. A gente ficava esperando para ver mas essa alagação veio mesmo pra levar tudo”, disse.
O comerciante teve sérios prejuízos com a enchente e parece ter perdido o ânimo para buscar recuperação. A realidade de Emanuel é extrema, mas se assemelha a de muitos comerciantes da Capital que foram diretamente afetados com a cheia histórica.
Recente, pesquisa da Fecomercio apontou que 600 empresas de Rio Branco tiveram problemas operacionais com o evento da natureza. Os prejuízos foram desde o estoque até a estrutura física dos empreendimentos.
“Eles tiveram problema com instalações que foram danificadas, com reposição de estoque que foi perdido em grande parte e problemas com caixa para pagar seus compromissos”, explica o economista da Fecomercio, Roberval Ramires.
Além dos prejuízos com materiais e queda nas vendas, os comerciantes ressaltam que a inadimplência tem sido um obstáculo no processo de recuperação. Muitos clientes que também foram afetados pela enchente não estão conseguindo colocar a vida financeira em ordem e o comércio sente as consequências.
A pesquisa da Fecomercio foi realizada em seis bairros da Capital, sendo que quatro tiveram seus espaços alagados e dois foram afetados indiretamente. Para o economista Roberval Ramires, sair da zona de alagação, por mais que seja uma decisão difícil, e uma conclusão óbvia, é a principal orientação aos empreendedores.
“Nós verificamos em pesquisa que o empresário, o comerciante é resistente a mudanças. Poucos passam em mudar para a parte alta aonde as águas não chegam por que acha que pode ficar um ou dois meses naquela situação. Mas na verdade não é. Depois que passa a cheia ele vai precisar de um ou dois meses e por fim, são quatro meses em função de um problema desse”, disse o economista.
Outro fator preocupante abordado pela pesquisa é a possibilidade de demissões de funcionários, como alternativa de muitas empresas para driblar a crise.


