Algumas regiões da Capital sentem primeiro efeitos da seca
Segundo dados do instituto Trata Brasil, mais de 60% da água produzida em Rio Branco é desperdiçada. Por outro lado, ainda há comunidades que não tem acesso a água encanada e sofre ainda mais no período de seca. São os extremos que revelam a importância de preservar o recurso vital para a sobrevivência humana.
Chegam constantemente à redação do site Agazeta.net, imagens registradas por moradores de diferentes bairros de Rio Branco que mostram desperdício de água tratada. Ela escorre pelas ruas, emana de tubulações e jorra abundantemente.
Um dos registros foi feito em uma estação do Depasa, na região do Calafate. A mulher que grava o vídeo, critica o desperdício que vai de encontro com o alerta do poder público ao racionamento.
De acordo com levantamento feito pelo Instituto Trata Brasil, organização da sociedade civil que incentiva a proteção dos recursos hídricos do país, em Rio Branco, 62% da água produzida é desperdiçada tanto pelo consumidor, quanto nas redes de distribuição.
Para o Depasa, esse número é menor, mas ainda assim, preocupante. De acordo com o departamento, 40% da água tratada vai para o ralo, sem utilização, sendo a maioria, desperdiçada no ambiente residencial.
“Temos aproximadamente cinco equipes que trabalham na questão de rompimento de adutora, quando há problemas na distribuição, na parte das ruas. Agora a gente observa que na grande maioria o desperdício acontece dentro das residências. As pessoas não tem costume de usar a boia nas caixas para que no momento em que enche trava para evitar o desperdício”, comenta o diretor social do Depasa Nier Pinheiro.
Durante uma ação no bairro 6 de agosto, o diretor social do Depasa explicou que existe através do telefone 3028-8080 a população pode comunicar vazamentos, desperdício de água e problemas diversos em tubulações. Contudo a central só atende em horário comercial.
Enquanto em alguns locais o uso do recurso hídrico não é racional, em outros, cada gota é valorizada como ouro. No bairro praia do Amapá 100% das residências são abastecidas por poços.
Na comunidade chegaram com o programa Ruas do povo, a pavimentação e o saneamento básico, ou melhor, parte dele. A tubulação foi colocada, mas a água não corre por ela. Vanusa Ferreira espera ansiosamente pelo dia em que a casa for abastecida por água encanada. “É um sonho pra gente. Nunca passamos por essa situação. Com criança pequena, nesse calor, é horrível ficar sem água. Se quer dá pra tomar um banho”, lamenta.
Por enquanto a moradora usa o poço da vizinha, que até o ano passado continha água o suficiente para várias casas. Hoje, ela raciona o que pode, por que o reservatório está agonizando.
Para a comunidade do bairro Praia do Amapá, o fornecimento de água tratada é urgente, caso de saúde pública.
Como as casas são abaixo do nível das ruas, no período chuvoso os terrenos alagam e a enxurrada se junta com esgoto, invade os poços, contaminando a água. “No inverno passado muita gente aqui pegou hepatite A, e vocês sabem que a doença vem por causa da qualidade da água”, alerta o presidente da associação de moradores, Carlos Nascimento.


