O saneamento básico do Acre está caracterizado na carência de acesso à rede geral de água, privação de banheiro e da coleta de esgoto. Devido a seca, há dificuldade na distribuição do sistema hídrico. A capital Rio Branco aguarda a liberação de recursos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e emendas parlamentares para investir na cidade.
Na cidade, a falta de água é um dos principais problemas relatados pela população. Marcondes Dourado, morador do bairro Nova Esperança, tem deixado de ir ao trabalho para ficar em casa e receber o carro pipa. Segundo ele, há três meses a família sofre com a falta de abastecimento de água.
De acordo com Dourado, ele realizou uma ligação ao Sistema de Água e Esgoto de Rio Branco (Saerb), que realizou o serviço há 13 dias, porém, a água ainda não chegou em sua residência.
“A cada quatro dias eu peço o carro pipa. Em média, R$ 120 cada pipa que vem, estou gastando mais de R$ 600 de água por mês. Fico nessa dificuldade escolhendo roupa para lavar, ainda mais nesse calor que estamos passando”, afirma Marcondes.
A presidente do bairro Nova Esperança, Zeneide Batista, relata que a distribuição de água não é o suficiente para realizar tarefas domesticas, acrescenta que recebe água por duas horas apenas. O diretor presidente do Saerb, Enoque Pereira, destaca que a seca severa e o estoque limitado de produtos para tratar a turbidez da água quando chove, tem dificultado o abastecimento regular de água em Rio Branco.
“Fizemos uma nova licitação, saindo de um fornecedor para outro, e nosso receio é só que falte produto. Então, por precaução, reduzimos a produção em 18%. Em relação a essas localidades que é pontual, não é a cidade toda. A gente pede que nos procure. Às vezes é uma rede que está obstruída, interrompida, ou por alguma razão, uma manobra foi fechada e não foi aberta”, explica Enoque Pereira.
Sobre a resolução da situação do saneamento básico em Rio Branco, ele explica que o município depende de recursos inscritos no PAC, no valor de R$ 220 milhões, que serão direcionados para coleta de esgoto e abastecimento de água. Assim como tentativas junto à Câmara Municipal e emendas parlamentares.
“É uma cidade que não teve um planejamento em longo prazo de capitação, afastamento e tratamento de esgoto. Estamos, de todas as formas, tentando conseguir recursos para sanar parte das deficiências que ficou ao longo do tempo. Mas o prioritário que é o recurso, estamos correndo atrás. Se juntar o recurso da Câmara e o PAC, estamos falando aí de R$ 300 e poucos milhões investidos. A gente pretende, até o final da gestão, tratar 42% do esgoto de Rio Branco”, esclarece Pereira.
A diretora de planejamento e projetos do Serviço de Água e Esgoto do Estado do Acre (Saneacre), Daniela Silva, que trata da política de saneamento nos outros 21 municípios, reafirma que a necessidade de investimentos é muito grande e que a arrecadação é baixa. Ela assegura que o governo busca junto ao Ministério das Cidades, a regionalização dos serviços para a obtenção dos recursos federais.
“Nós temos o marco legal de saneamento. Ele prevê que nós precisamos até 2033 chegarmos a universalização do saneamento, 99% das pessoas terem acesso a água e 90% de coleta de esgoto, nossos indicadores aqui ainda são muito baixos. O Governo Federal abriu uma possibilidade dos estados apresentarem seus projetos de saneamento básico. Apresentamos 12 projetos, num total de cerca de R$ 88 milhões em recursos o nosso Estado”, detalha Daniela Silva.
Matéria produzida em vídeo pela repórter Wanessa Souza para a TV Gazeta


